G1 RN - Por maioria, a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª
Região (TRF-5), no Recife, negou, nesta quinta-feira (22), os pedidos de
habeas corpus feitos pelos ex-deputados federais Henrique Eduardo Lyra
Alves e Eduardo Cosentino da Cunha. Ambos tiveram a prisão preventiva
decretada pela Justiça Federal no Rio Grande do Norte, a pedido do MPF
naquele estado.
Para o MPF, há indícios de que Alves e Cunha praticaram, de forma
continuada, os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Os
ex-deputados federais e ex-presidentes da Câmara são acusados de receber
propina para favorecer empresas de construção civil na obra do estádio
Arena das Dunas, em Natal.
O dinheiro ilegal teria chegado por meio de doações eleitorais oficiais
e não oficiais, nos anos de 2012 e 2014, em troca de benefícios em
favor de empreiteiras como OAS e Odebrecht.
Henrique Alves foi preso preventivamente no último dia 6 de junho, na capital potiguar, dentro da chamada Operação Manus, um desdobramento da Lava Jato. Cunha, que já se encontrava preso no Paraná, por conta de outro processo, tornou-se alvo também desse mandado de prisão preventiva.
A defesa dos dois entraram com pedidos de habeas corpus junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, localizado em Recife. Nesta quinta-feira (22), a Primeira Turma do TRF5 apreciou os pedidos. Para o MPF, a manutenção da prisão preventiva de Henrique Alves e
Eduardo Cunha é necessária para garantir a ordem pública e assegurar a
efetiva aplicação da lei penal, uma vez que ambos continuam a exercer
intensa atividade política em âmbito nacional. Dessa forma, o
cerceamento da liberdade teria como objetivo evitar a continuidade das
práticas ilícitas.
Operação Manus
Na terça-feira (20), o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra
Henrique Alves e contra Eduardo Cunha. De acordo com o órgão, recursos
de propinas pagas ao ex-deputado Henrique Alves (PMDB) pelas
empreiteiras OAS e Odebrecht foram usados para a compra de apoio
político na campanha eleitoral de 2014, quando o ex-parlamentar era
candidato ao governo do Rio Grande do Norte. Ele perdeu a eleição. De acordo com os procuradores, os recursos passaram pelas contas da
empresa Pratika Locação de Equipamentos LTDA., de Carlos Frederico
Queiroz Batista da Silva, o Fred Queiroz, também denunciado pelo MPF.
Os dados dos repasses, conseguidos pela investigação através de medida
cautelar, e que constam na denúncia, somam mais de R$ 388,2 mil. O
dinheiro foi rateado entre prefeitos, vereadores, um ex-deputado
estadual e outros aliados. "Sob pretextos de prestar serviços de 'militância e mobilização de
rua', a empresa recebeu valores que, posteriormente, serviram na
realidade para pagar políticos e pessoas politicamente relacionadas no
Rio Grande do Norte, em troca de apoio ao candidato", diz a denúncia.
Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (21), o MPF também
afirmou que os recursos foram utilizados na compra de votos. Ao longo da
campanha, a Pratika recebeu mais de R$ 9 milhões, dos quais mais de R$ 5
milhões foram sacados em espécie. De acordo com o procurador Rodrigo
Telles, isso dificulta o rastreamento dos recursos. Outras empresas também teriam sido usadas pelos investigados para lavar
dinheiro das propinas. A defesa do ex-ministro Henrique Eduardo Alves
informou que não vai se pronunciar, porque teve acesso à denúncia do MPF
há pouco tempo e ainda irá ler o material.
Influência
Para o MPF, mesmo investigado, Henrique continuou tendo trânsito livre, marcando reuniões, indicando pessoas e influenciando em ministérios.
"Foi apreendido celular de Henrique Alves e foram encontradas diversas
mensagens já de 2017 com indícios de prática de tráfico de influência em
diversos ministérios. O ex-ministro pediu exoneração do cargo, mas não
deixou de ter influência no governo federal", disse o procurador Rodrigo
Telles de Souza.
Para exemplificar a influência exercida por Henrique Alves, os
procuradores dizem que mensagens capturadas no celular do ex-ministro
comprovam que ele indicou a nomeação de Henrique Pires como secretário
nacional de Estruturação do Turismo. O cargo é responsável por liberação
de recursos do governo federal para estados e municípios. "Em uma das
mensagens ele disse que o indicado 'é um dos nossos'", disse Rodrigo
Telles. Henrique também exerceu influência para acelerar a transferência de uma
servidora do Ministério do Meio Ambiente para o Rio Grande do Norte.
Ainda de acordo com os investigadores, Alves também exerceu influência
nos Ministérios da Educação e dos Transportes.

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