
Réplica de coruja de ouro foi enterrada em abril de 1993 em local que
teve que ser identificado a partir de 11 enigmas apresentados no livro
“Na trilha da coruja dourada”. — Foto: Reprodução/vídeo/France24.
O Globo - Após mais de três décadas de mistério e especulação, a famosa caça ao tesouro da Coruja de Ouro, que mobilizou milhares de pessoas na França, chegou ao fim. A escultura, uma coruja feita de metais preciosos e incrustada de diamantes avaliada em R$ 903 mil, foi finalmente localizada na última quinta-feira, encerrando uma busca que começou em 1993.
A caçada, batizada de “Na Trilha da Coruja de Ouro”, foi iniciada por Régis Hauser, autor do enigma que desafiava os participantes a resolverem 11 quebra-cabeças contidos em um livro homônimo. Michel Becker, o artista que desenhou a coruja e ilustrou a obra, confirmou a descoberta por meio da rede Discord, plataforma onde os entusiastas da caça ao tesouro compartilhavam suas teorias.
“Confirmamos que a Coruja de Ouro foi descoberta ontem à noite. Portanto, é inútil continuar cavando nos locais que vocês acreditam ser o esconderijo”, alertou Becker, para evitar qualquer nova tentativa de busca. Ele também elogiou o vencedor da jornada: “Parabéns ao descobridor da coruja, enormes congratulações são merecidas. Espero que, em breve, possamos saber o nome do vencedor e, finalmente, obter as respostas para as pistas.”
O desafio envolvia encontrar uma réplica enterrada da coruja, o que daria ao vencedor o direito de reclamar a escultura original. A estátua, que pesa cerca de 10 quilos, é feita principalmente de prata, mas também contém ouro e diamantes.
Ao longo dos anos, a busca se tornou um verdadeiro fenômeno cultural, com milhares de “corujas”, como ficaram conhecidos os participantes, dedicando-se a resolver os enigmas. A cinegrafista Lizzy Brynn, de 31 anos, que esteve envolvida na caçada por quatro anos, destacou o impacto pessoal dessa jornada: “Vai deixar um vazio porque são vários anos da minha vida”, comentou à AFP. Para ela, o fato da coruja ter sido enterrada no ano de seu nascimento adicionava um toque “místico” à experiência.
O enigma atravessou eras tecnológicas, passando pelo GPS e culminando nas plataformas digitais, como o Discord, onde Becker relançou o jogo com pistas adicionais. O livro que deu origem à caçada foi publicado originalmente por 95 francos (R$ 83) e sua última edição, de 2022, custava 37,95 euros (R$ 228).
Régis Hauser, também conhecido pelo pseudônimo Max Valentin, criou o desafio e decidiu manter seu rosto oculto para evitar assédio. Becker, que desenhou a escultura e a apresentou em programas de TV, nunca soube a solução até 2021, quando teve acesso a um disquete antigo que continha a resposta. Hauser faleceu em 2009, deixando um legado de intrigas e conflitos jurídicos com seus herdeiros e a posse da coruja.
Em 2014, em meio a dificuldades financeiras, Becker tentou leiloar a escultura, mas recuou após a mobilização da comunidade. Apenas em 2021, ele verificou a localização original da coruja e substituiu a réplica por uma nova escultura de bronze, relançando o jogo no Discord.
Agora, com o fim iminente da busca, restam questões ainda não respondidas: quem é o vencedor e como ele decifrou o enigma? A escultura da Coruja de Ouro foi exibida em abril de 2023 em Rochefort, e um documentário sobre a jornada, em junho de 2024, detalhou a história dessa caça ao tesouro que fascinou a França.

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