Propositura
da deputada estadual Isolda Dantas (PT), a audiência pública com o tema
“Impactos da Reforma da Previdência na vida das mulheres”, que aconteceu
nesta segunda (11), encheu as galerias da Assembleia Legislativa
principalmente com mulheres de movimentos sociais. A audiência foi
proposta por Isolda juntamente com as parlamentares do PT: a deputada
Federal Natália Bonavides, as vereadoras Tércia Leda (Currais Novos),
Ana Michele (Parnamirim), Divaneide (Natal), Luiza Vieira e Lilia
Holanda (Campo Grande). Ao iniciar os trabalhos, o grupo Cultura em
Movimento fez uma apresentação.
A iniciativa
da audiência foi uma das ações da deputada em alusão ao 8 de Março, dia
internacional da Mulher. De acordo com ela, trata-se de uma oportunidade
de trazer o debate para perto e traçar estratégias de combate à reforma
da previdência. “Nós fomos para as ruas e conseguimos derrotar a
proposta de reforma do governo Temer e vamos conseguir novamente, porque
essa proposta é mais danosa ainda. Ela penaliza as mulheres,
principalmente as negras e trabalhadoras rurais. Somos nós que ocupamos
os piores postos de trabalho, em grande parte, informal. Isso sem falar
na sobrecarga das tarefas domésticas e do cuidado”, disse. Segundo a
parlamentar, é uma proposta machista, racista e de classe que penaliza
quem tem menos e beneficia quem tem mais.
A economista
Marilane Teixeira, militante da Marcha Mundial das Mulheres, foi uma das
primeiras a falar e buscou explicar os impactos da reforma proposta
pelo governo Bolsonaro na vida das mulheres. “O que se diz é que com a
reforma os empregos serão recuperados, haverá maior investimento do
capital estrangeiro, que resolverá os problemas de orçamento e
equilíbrio fiscal, dentre outras coisas, então a reforma virou a solução
para todos os males. O ministro da economia anunciou que haverá uma
economia de mais de R$ 1 trilhão no período de 10 anos com essa reforma.
Mas a proposta não tem nada que combata os privilégios. Hoje, 70% dos
trabalhadores afetados pela previdência ganham entre 1 e 2 salários
mínimos, então visa atacar justamente quem recebe isso e as mulheres são
maioria. No Rio Grande do Norte, por exemplo, nós tivemos até dezembro
588.142 benefícios que foram concedidos. Desses benefícios, 84% eram de
pessoas que receberam até um salário mínimo. Então vocês imaginem de
onde vai sair esse trilhão: do bolso dessas pessoas.

0 comments :
Postar um comentário