O Globo - O Brasil foi um dos destaques positivos do relatório “Perspectivas
Econômicas Mundiais” (WEO, na sigla em inglês), divulgado na manhã desta
terça-feira em Washington. Juntamente com a Rússia, o país foi o que
registrou maior variação positiva para as previsões de crescimento no
grupo das 16 nações destacadas pelo Fundo. De acordo com a instituição, o
país crescerá 0,7% neste ano e 1,5% em 2018, valores, respectivamente,
0,4 ponto percentual e 0,2 ponto percentual que o estimado na última
previsão, divulgada em julho.
“No Brasil, o forte desempenho das exportações e um menor ritmo de
contração na demanda doméstica permitiram que a economia voltasse a
crescer positivamente no primeiro trimestre de 2017, após oito
trimestres de declínio”, informou o documento, que ainda responsabiliza a
retomada a “uma safra abundante e um impulso para o consumo, inclusive
com a permissão dos trabalhadores aproveitarem os recursos do FGTS.”
O Fundo, contudo, afirma que a incerteza política ainda afeta a
economia brasileira. “A fraqueza contínua no investimento e o aumento da
incerteza política” fazem com que, mesmo com o recente aumento das
projeções, o crescimento esperado para 2018, de 1,5%, ainda seja 0,2
ponto percentual abaixo do que o estimado pelo FMI em abril, quando —
antes do escândalo que abateu o governo de Michel Temer — a instituição
esperava que o Brasil fosse crescer 1,7% no próximo ano.
Projeções do FMI para a economia Global
Número entre parênteses mostra diferença entre a previsão passada, de julho, em pontos percentuais

— Nossas projeções trazem um fim da recessão no Brasil. Tivemos dois
trimestres consecutivos de crescimento positivo, então o Brasil parece
ter entrado em um momento de virada. Por conta da instabilidade em
andamento no cenário político, em termos de políticas, nossa perspectiva
é bastante fraca. Nós esperamos uma recuperação bem abaixo do esperado
daqui para a frente — afirmou Oya Celasun, chefe do departamento de
pesquisa do FMI.
Segundo Oya, o Brasil precisa de mais “solidez” em sua situação
fiscal antes de retornar a uma fase de maior crescimento, apesar de ter
elogiado a aprovação da PEC do teto dos gastos públicos, no fim do ano
passado. E, para isso, a reforma da previdência é necessária, em sua
opinião:
— O próximo passo importante é aprovar a reforma da Previdência em um
tempo razoável, sem muitas alterações a partir do que foi proposto pelo
governo — disse Celasun. Ela ainda afirmou que o Brasil precisa acelerar reformas estruturais
para estimular o crescimento potencial, além de aumentar os
investimentos em infraestrutura e melhorar o ambiente de negócios,
incluindo a alocação de créditos em geral, reformar os bancos estatais e
melhorar a eficiência do crédito.
Em nota, o FMI diz ainda informou que “uma reforma gradual da
confiança — como reformas fundamentais para garantir a sustentabilidade
fiscal serão implementadas ao longo do tempo — deverá aumentar o
crescimento para 2% no médio prazo”. “No Brasil, abordar a questão das despesas insustentáveis, inclusive
com a reforma do sistema de aposentadoria, é prioridade para restaurar a
confiança e promover o crescimento sustentado do investimento privado.” O fundo ainda alertou em suas projeções que o desemprego deve fechar
2017 em 13,1% e em 2018 ficará em 11,8%. Por outro lado, a inflação deve
fechar 2017 em 3,7% e alcançar 4% no próximo ano. O FMI ainda indica
que o real se depreciou em mais de 4% com a flexibilização da política
monetária e as preocupações com a agenda de reformas — que foram
afetadas pela crise política.
A melhoria no ambiente de negócios no Brasil também foi destacado, bem como os esforços para promover uma redução da corrupção:
“As ações decisivas para melhorar a governança e o estado de direito
ajudam a controlar a corrupção, fortalecendo a confiança das empresas e
aumentando o investimento em alguns países (por exemplo, Brasil, México e
Peru). O fortalecimento das instituições também pode ajudar a reduzir
as percepções de risco do país e atuar como uma força de compensação
contra um possível aperto das condições financeiras globais”, afirma o
documento do Fundo, que ainda elogiou os esforços do Brasil para fazer
deslanchar seu programa de concessões na área de infraestrutura.

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