Terra - Pela segunda vez seguida, a Seleção Brasileira tirou as esperanças
chilenas de fazer uma boa Copa do Mundo. Se em 2014 o Brasil eliminou o
Chile nos pênaltis nas oitavas do Mundial, em um Mineirão lotado, desta
vez, no Allianz Parque lotado, o time verde e amarelo nem sequer deixou o
adversário chegar à Rússia: Em um jogo tenso e cheio de faltas, o Brasil venceu o Chile por 3 x 0
no Allianz Parque, em São Paulo, nesta terça-feira (10). O jogo começou
morno, mas, no segundo tempo, a seleção brasileira conseguiu passar
pela defesa chilena e se firmar no primeiro lugar nas Eliminatórias para
a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Assim, Tite se tornou o primeiro técnico do Brasil a vencer as nove
seleções que enfrentou nas eliminatórias. Com o resultado e o empate
entre Colômbia e Peru, o Chile não conseguiu a vaga para o mundial.
Atual bicampeão da América, o Chile permaneceu com 26 pontos, igualado
ao Peru (que disputará a repescagem), mas levou a pior no saldo de gols e
acabou na frustrante sexta colocação. O líder Brasil alcançou os 41
pontos, bem distante do segundo colocado Uruguai, com 31. Argentina (28)
e Colômbia (27) também se classificaram para a Copa da Rússia.
No primeiro turno das Eliminatórias, o Chile impôs ao Brasil a sua
primeira derrota em estreias na competição e único revés na atual
campanha: 2 a 0 em Santiago. Findada as Eliminatórias, a Seleção
Brasileira fará os seus últimos ajustes para o Mundial em uma série de
amistosos. Os primeiros serão contra o Japão e a Inglaterra, em
novembro. Existe a expectativa de o time de Tite ser testado também
contra a anfitriã Rússia em março de 2018, mês em que haverá um
reencontro com a algoz Alemanha, em Berlim.
Foto: Reuters
O jogo -
A Seleção Brasileira até tentou se mostrar envolvente no início da
partida contra o Chile. O público presente no Palestra Itália só começou
a vibrar mesmo, contudo, com algo que viu no telão, e não no gramado - o
anúncio do primeiro gol do Equador sobre a Argentina. Enquanto os argentinos viravam o jogo em Quito, o Brasil começava a
criar as suas primeiras chances de gol em São Paulo. Aos 16 minutos, por
exemplo, o time da casa tirou proveito de um erro na saída de bola do
Chile, e Gabriel Jesus acionou Neymar. O astro do Paris Saint-Germain
parou no goleiro Claudio Bravo.
Mesmo com a sua marcação adiantada, o Brasil enfrentava dificuldades
para ser mais efetivo diante da torcida paulista, sem a exigência de
outros tempos. O time de Tite, que ficava em pé e andava de um lado a
outro à beira do campo, pecava nas triangulações no terço final do
gramado e nas conclusões.
Do outro lado, o Chile tinha a preocupação de não se expor
demasiadamente, até porque, àquela altura, classificava-se com um
empate. Além disso, valorizava bastante o tempo quando a bola não estava
em jogo, irritando Neymar e os seus amigos com uma e outra faltas mais
duras.
No final do primeiro tempo, após Gabriel Jesus se lamentar por cabecear
a bola em cima de Bravo, Philippe Coutinho e Neymar foram punidos com o
cartão amarelo - um vermelho representaria suspensão na primeira rodada
da Copa do Mundo, o que seria motivo para apreensão da comissão
técnica.
De acordo com o auxiliar Cléber Xavier, porém, Neymar "tem maturidade
suficiente para jogar pendurado", não precisando ser substituído por
Tite. Quem mexeu no intervalo foi o técnico Juan Antonio Pizzi, trocando
Aránguiz, que era dúvida às vésperas da partida, por Pulgar.
Foto: Alê Vianna/Agência Eleven / Gazeta Press
Pizzi e os chilenos se intranquilizariam mais do que Neymar no início
do segundo tempo. Aos nove minutos, Daniel Alves cobrou falta de longa
distância, com efeito, e Bravo deu rebote. Paulinho mostrou o
oportunismo de sempre para avançar e completar para a rede. O Brasil se soltou a partir do gol. E precisou de apenas mais dois
minutos para anotar outro. Philippe Coutinho acertou ótimo lançamento
para Neymar, que dominou com ainda mais categoria na ponta esquerda.
Dentro da área, rolou para Gabriel Jesus só ter o trabalho de empurrar
para dentro.
Em desvantagem no placar, os chilenos passaram a distribuir pontapés e a
trocar insultos com os brasileiros, o que aumentava o receio em relação
ao risco de Neymar levar outro cartão amarelo. Pizzi, sabendo que
vencer essa briga não seria suficiente, substituiu Fuenzalida por Puch. Os torcedores resolveram colaborar, na tentativa de enervar ainda mais
os visitantes. "Adeus, Chile! Adeus, Chile!", despediram-se
inicialmente, em coro. Depois, gritaram "olé" para a troca de passes da
Seleção Brasileira e provocaram o ex-palmeirense Valdívia, que pouco
produzia.
Com os ânimos mais calmos e com o Brasil diminuindo o ritmo, Tite
esperou os minutos finais do jogo para entrar em ação. Sacou Renato
Augusto, mais uma vez apagado, para a entrada de Fernandinho. Os últimos
a sair, enfim, foram os pendurados Neymar e Coutinho, bastante
aplaudidos quando cederam espaço a Willian e Roberto Firmino. Nos minutos finais, após Firmino desperdiçar grande oportunidade diante
de Bravo, o Chile se desesperou. O goleiro visitante foi ao ataque na
esperança de colaborar com um gol que levaria a sua seleção à Copa do
Mundo. No contragolpe, entretanto, Gabriel Jesus foi lançado por Willian
e aproveitou a meta vazia para entrar com bola e tudo. "Eliminado!
Eliminado! Eliminado!", berrou o público.

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