A
queda da arrecadação nos últimos anos e o crescimento dos gastos
obrigatórios levaram as contas públicas federais a um impasse. Os
contingenciamentos (bloqueio de verbas para gastos não obrigatórios) são
insuficientes para conter o déficit primário. Mesmo que o governo corte
100% dos gastos não obrigatórios, as contas públicas continuarão a
registrar resultados negativos, acelerando a alta da dívida pública.
Nos 12 meses terminados em agosto,
segundo os dados mais recentes do Tesouro Nacional, os gastos
obrigatórios, que não podem ser cortados pela equipe econômica,
equivaleram a 104,3% das receitas líquidas correntes. Nessa situação,
mesmo se o governo cortasse todos os gastos discricionários (não
obrigatórios), o déficit primário perduraria porque a arrecadação é
insuficiente para cobrir as despesas obrigatórias, como mínimos
constitucionais com educação e saúde, pagamento do funcionalismo público
e benefícios da Previdência Social.

0 comments :
Postar um comentário