Agência Brasil - Embora os juros sejam o principal temor dos usuários de cartão de
crédito, 59% dos consumidores desconhecem as taxas cobradas em caso de
atraso no pagamento da fatura. O dado faz parte de estudo feito pelo
Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional
de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgado hoje (28).
A pesquisa mostra
também que 43% usuários de cartão concordam com as novas regras do Banco
Central (BC), válidas desde abril, que impedem o consumidor de
permanecer no crédito rotativo por mais de 30 dias quando é pago o valor
mínimo da fatura. Para eles, as novas regras foram impostas porque os
juros cobrados são abusivos.
Entre os entrevistados, 38% já ficaram, em algum momento, com o “nome
sujo” por não pagar a fatura e 11% disseram estar com parcela em atraso.
A pesquisa apontou ainda que para 90% dos consumidores, o uso de cartão
de crédito impõe riscos à vida financeira das pessoas. Os motivos
apontados para que ele seja visto como ameaça são os juros altos (40%), o
risco de clonagem (31%) e o incentivo às compras impulsivas (27%).
A pesquisa ouviu 601 consumidores nas 27 capitais do país. A margem de
erro é de 4 pontos percentuais e a margem de confiança é de 95%.
O estudo mostra que 57% dos usuários não controlam de maneira adequada
os gastos feitos com o cartão de crédito. Entre as formas utilizadas
para acompanhar as compras estão consultar pela internet a fatura antes
do fechamento (28%); ler a fatura depois que foi fechada (15%) e fazer o
controle de cabeça (13%). Apenas 1% dos usuários disse não fazer nenhum
acompanhamento. O controle total e sistemático é feito 38% dos
usuários. O modelo mais comum nesses casos é a anotação no papel (21%),
seguido pelo uso de planilhas (11%) e registro em aplicativo de celular
(6%).
Popularidade
De acordo com a pesquisa do SPC e CNDL, o cartão é tão popular entre os
brasileiros que 47% disseram já ter deixado de comprar em lugares que
não aceitavam o crédito. Os tipos de estabelecimentos mais citados foram
bares, restaurantes e lanchonetes (38%), lojas de roupas, calçados e
acessórios (37%) ou pequenos estabelecimentos que vendem alimentos e
produtos para casa (27%).
O número de usuários de cartão, no entanto, caiu no último ano. Em 2016,
essa modalidade de pagamento alcançava 70% dos consumidores, agora são
61%. Na avaliação das entidades, a queda no uso de cartão se deve às
exigências mais rigorosas para concessão de crédito pelas instituições
financeiras em razão da crise econômica e da alta da inadimplência.
O estudo mostra que 28% dos entrevistados tentaram adquirir um cartão
nos últimos três meses, dos quais 18% não conseguiram. As negativas
ocorreram mais com pessoas das classes C, D e E (21%). Entre quem não
tem cartão (39%), os principais motivos são o nome estar sujo (26%), a
falta de comprovação de renda (15%) ou preferência em pagar as contas à
vista (13%).
A possibilidade de parcelamento foi apontada por 23% entrevistados como a
principal vantagem do cartão. Para 18%, a motivação é o fato de ter um
prazo para pagar. Entre 16% e 13% disseram que o principal é ter
segurança de poder fazer compras mesmo quando não se tem dinheiro na
conta. O cartão também aparece como opção para momentos de emergência.
Um terço (33%) disse ter usado essa forma de pagamento para lidar com
imprevistos, enquanto 25% disseram que a escolha se deu para não
precisar andar com dinheiro e 15% para poder comprar mais que o
habitual.
Para 53% dos consumidores, o cartão é usado para compras com alto valor
ou quando não conseguem pagar à vista (40%). Os produtos mais compradas
em parcela são as roupas, calçados e acessórios (60%), eletrônicos
(57%), eletrodomésticos (52%) e remédios ou produtos de farmácia (46%).
Tem também os que referem essa modalidade de pagamento para acumular
pontos em programas de milhagem.

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