Dos 513 parlamentares, 286 receberam dinheiro. Dos 54 integrantes da
PCI, 29 receberam dinheiro. Dos 34 integrantes do Conselho de Ética,
incluindo o presidente do colegiado, 29 receberam dinheiro. Dos 11
integrantes da Mesa Diretora, 6 receberam dinheiro. O presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu. O presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL) recebeu.
Mais da metade dos deputados federais em atividade no país recebeu
doações dos grupos empresariais acusados de participar do megaesquema de
corrupção que assaltou os cofres da Petrobras. Um levantamento apontou
que 286 dos 513 parlamentares tiveram parte de suas campanhas
financiadas pelas empresas do clube do bilhão, segundo dados do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE).
No total, as empresas investigadas ou suas subsidiárias doaram 67
milhões de reais para deputados federais na campanha do ano passado.
Despontam na lista parlamentares do PT que se beneficiaram com 10,8
milhões de reais. O PMDB recebeu 8,9 milhões de reais. Deputados do PSDB
amealharam 8,1 milhões de reais. O PP recebeu 7,9 milhões de reais.
Todas estas doações são oficiais e foram registradas no TSE.
O levantamento considera as contribuições oficiais feitas diretamente
aos parlamentares e também recursos repassados por diretórios ou comitês
para eles.
Isoladamente, as doações não representam nenhum problema já foram
declaradas à Justiça Eleitoral. Mas uma das descobertas dos
investigadores da Operação Lava Jato foi que parte do pagamento de
propina das empresas do cartel foi desviado dos cofres da Petrobras e
transformado em financiamento de campanha.
O empresário Augusto Mendonça Neto, sócio do grupo Toyo Setal, afirmou
que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque exigia que parte
dos recursos superfaturados em obras da estatal fossem repassados como
contribuições partidárias. Recentemente, o vice-presidente da Camargo
Corrêa, Eduardo Leite, que também fez acordo em troca de possível
punição mais branda da Justiça, também assumiu que pagou propina
disfarçada em doações eleitorais.
Dos 22 deputados investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por
envolvimento no petrolão, 15 receberam doações das empresas do esquema
de corrupção. O deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) foi quem mais
faturou, com 1,1 milhão de reais da Galvão Engenharia.
O filho do ex-ministro José Dirceu (PT), o deputado Zeca Dirceu (PT-PR)
levantou 760.000 reais de Engevix, Carioca Engenharia e UTC. Os
pagamentos chamam atenção porque o Ministério Público investiga a
legalidade de 2,3 milhões pagos pela UTC e 1,1 milhão de reais
desembolsados pela Engevix para José Dirceu por supostos serviços de
consultoria. O filho do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte
(PP-BA), que é investigado no STF, Mário Negromonte Júnior ganhou
427.752,14 reais do clube do bilhão em doações.
O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), obteve 799.000 reais, e o líder
do PT, Sibá Machado (AC), ganhou 120.000 reais. O líder do governo,
José Guimarães (PT-CE), não ficou atrás: 285.000 reais.
Na CPI da Petrobras, dos 54 integrantes, entre suplentes e titulares, 29
receberam contribuições de empresas investigadas no esquema. O
presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), e o relator, Luiz Sérgio
(PT-RJ), faturaram respectivamente 454.572 reais e 962.500 reais.
No Conselho de Ética, também foram beneficiados 24 dos 34 integrantes já
empossados. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA),
recebeu 20.817 reais, de Odebrecht, OAS e UTC. O corregedor da Casa,
Carlos Manato (SD-ES), ganhou 200.351 reais das empresas do petrolão.
Dos 11 integrantes da Mesa Diretora, seis receberam contribuições do
cartel e, entre eles, o primeiro-secretário, Beto Mansur (PRB-SP), foi
quem mais levantou fundos: 533.944 reais.
Investigado no STF, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não
declarou doação das empresas do petrolão no ano passado, mas recebeu
500.000 reais da Camargo Corrêa na campanha de 2010.
Entre os conglomerados investigados na Operação Lava Jato foi a
Odebrecht quem mais contribuiu para campanhas de deputados federais em
atividade. Repassou 12,1 milhões de reais só no ano passado. O grupo
tenta, com um time de advogados, impedir que o Ministério Público tenha
acesso a dados bancários da Suíça. De lá pode vir a confirmação do
relato do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Ele confessou em acordo de delação premiada que recebeu mais de 20
milhões de dólares do grupo empresarial.
Responsável pela revelação de que a propina transitava no sistema
financeiro como doação eleitoral, o grupo Toyo Setal diminuiu as doações
na última eleição. Mas distribuiu 200.000 reais e quem mais faturou foi
a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que ganhou 100.000 reais da Toyo
Setal Empreendimentos e da Energex. Luiz Sérgio, relator da CPI da
Petrobras, levou 50.000 reais e Henrique Fontana (PT-RS) faturou outros
50.000 reais.
Com informações da Veja


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