A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) investiga um esquema de fraude por meio de um grupo no aplicativo WhatsApp para "colas" em provas de duas disciplinas dadas aos alunos de 1º ano de Engenharia. A suspeita é que o esquema no grupo intitulado "Honestidade" pode envolver mais de 200 estudantes. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
Na manhã da segunda-feira passada, uma prova de Cálculo 1 era aplicada em diversas salas para cerca de 800 estudantes no prédio do Biênio da Poli, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Um aluno de 19 anos foi flagrado usando o celular no exame. Segundo o boletim de ocorrência, o professor que aplicava a prova pediu que o estudante entregasse o aparelho e, ao final do exame, acionou outros docentes, que fizeram questionamentos ao rapaz.
No aparelho, encontraram uma mensagem enviada pelo
aluno no grupo "Honestidade", do qual a polícia constatou que fazem
parte mais de 200 pessoas. Ainda segundo o boletim de ocorrência, o
rapaz teria enviado uma foto da prova ao grupo para que outras pessoas,
que não estavam na sala, enviassem a solução das questões. Também foram
encontradas as mensagens com as respostas da prova. O celular do aluno
foi apreendido pela polícia e será periciado. O caso foi registrado, por
enquanto, como não criminal. Procurado pelo pela reportagem, o
estudante disse que foi orientado por seu advogado a não dar
entrevistas.
De acordo com José Roberto Piqueira,
diretor da Poli, uma sindicância interna já foi aberta na unidade, e a
Comissão de Ética da universidade também foi notificada para acompanhar o
caso. "A USP também iniciará um processo civil, caso a polícia detecte
que houve formação de quadrilha (para o esquema de cola) Essas pessoas
podem ser processadas por manchar a imagem da instituição. É um processo
em que até cabe indenização", disse Piqueira.
Segundo o
diretor, a suspeita é de que a fraude não acontecia de forma constante,
mas há indícios de que pode ter ocorrido também no exame da disciplina
de Álgebra Linear, ministrada para os alunos de 1º ano. "Quero deixar
muito claro que esse não é o perfil do aluno da Poli, isso não é usual
entre os estudantes. Os alunos da Poli primam pela honestidade e isso é
um deslize de um grupo que vai ser apurado e punido."
O diretor afirmou que a prova não será cancelada e que, nos casos em que for comprovada a "cola", os alunos terão a prova zerada e vão responder a processos administrativos. "Em matemática, existe uma coisa chamada estilo algébrico e não existem dois estilos iguais. É que nem caligrafia. Por isso, facilmente a gente vai perceber quais são as soluções que vieram dessa fonte. E essas provas vão ser todas anuladas e todos responderão a processo administrativo."
Em nota, a USP informou que os processos administrativos são conduzidos pelas unidades, que podem decidir por penalidades que vão de advertência, suspensão e expulsão do aluno. No casos das duas últimas, a indicação deve partir de uma comissão processante.

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