O Brasil está, já afirmei aqui, com três polos de poder: há o governo
propriamente, liderado por Michel Temer; há o núcleo petista, de que
Dilma Rousseff é símbolo, e há a Lava-Jato, com poder para mandar
qualquer um para a guilhotina. Os critérios para organizar a fila nem
sempre são muito claros. Dependem muito de uma leitura insondável que o
Conselho de Robespierres faz da realidade.
As dificuldades são gigantescas. E a chance de o governo oficial fazer
besteira, para evitar um mal ainda maior, cresce brutalmente. Vejam o
que aconteceu na noite desta quarta e início da madrugada de quinta: com
o aval do governo Temer, a Câmara aprovou um pacote de medidas com
reajustes para o funcionalismo — 15 projetos de lei ao todo — que terão
um impacto de R$ 58 bilhões aos cofres públicos até 2019.
Serão beneficiados servidores dos três Poderes. A proposta de maior
impacto eleva os ganhos dos ministros do Supremo de R$ 33.763 para R$
39.293. O problema é o efeito cascata que atinge a folha de salários do
funcionalismo do Judiciário: nesse caso apenas, um impacto de R$ 6,9
bilhões.
Todos os projetos serão ainda votados pelo Senado, mas não tenham dúvida
de que também serão aprovados na Casa. Uma nota: quando previu um
déficit neste ano de R$ 170,5 bilhões, o governo já contava com a
aprovação do aumento.
Vamos lá: será que é mesmo hora de fazer esse reajuste? A resposta,
obviamente, é negativa. Oh, nada contra servidores! Ocorre que o país
está quebrado. Um governo mais forte e consolidado talvez conseguisse
resistir à pressão, mas eis uma abriga que Temer não poderia comprar sem
correr o risco de gerar turbulências às vésperas do julgamento do
impeachment. Imaginem em meio a essas turbulências uma greve dos
servidores liderada pela CUT…
Ah, claro! Na conspiração contra os cofres públicos, os petistas decidiram votar com o governo…

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