A Polícia Militar estimou um público de
190 mil pessoas no horário de pico do evento: 15h15. A estimativa da
corporação “não considera o público flutuante”. Já os organizadores
divulgaram que mais “três milhões de pessoas” participaram da Parada. Além das frases “Fora Temer” e “Temer
jamais”, que apareceram em número maior, havia cartazes pedindo a volta
da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e faixas “Fora todos”,
contrárias a ambos. Adesivos contra o presidente interino foram
distribuídos pela UNE (União Nacional dos Estudantes).
Os
ativistas entendem que o governo Temer representa um perigo para a
agenda de inclusão da população LGBT. “É um momento arriscado. Pode
haver retrocesso em direitos adquiridos”, disse a artista Drag Tiffany.
Além disso, reclamam da ação de parte da
bancada evangélica de tentar derrubar o decreto assinado por Dilma que
permite a transexuais e travestis usar o nome social nos órgãos públicos
do governo federal. O tema da edição 2016 da Parada foi a
defesa do projeto de lei de Identidade de Gênero, justamente em favor de
transexuais e travestis. O segundo dos 17 trios elétricos presentes foi
o da “Visibilidade Trans”. Phamela Godoy estava em um grupo que
portava cartazes contra Temer logo depois do segundo trio. De acordo com
ela, o grupo era apartidário e se reuniu depois de uma mobilização via
Facebook. Entre os presentes, havia um militante com bandeira do PT.
No nono trio, com um cartaz contra Temer
à frente, a modelo transexual Viviany Beleboni fez um protesto
artístico contra a bancada evangélica, que, segundo ela, barra o avanço,
no Congresso, do projeto de lei da Identidade de Gênero – no ano
passado, Viviany apareceu “crucificada” na Parada também como forma de
protesto. De autoria dos deputados federais Jean
Wyllys (PSOL-RJ) e Erika Kokay (PT-DF), o projeto de lei prevê que o SUS
(Sistema Único de Saúde) e os planos de saúde banquem os custos de
tratamentos hormonais e cirurgias de mudança de sexo aos interessados.
Discursos
Wyllys e outros políticos como os
deputados federais Orlando Silva (PCdoB-SP) e Ivan Valente (PSOL-SP) e o
ex-senador Eduardo Suplicy (PT) circularam pela Parada. Suplicy disse que Dilma não cometeu
crime que justifique o impeachment. “Os 54 milhões de votos que ela
recebeu devem ser respeitados”, discursou em cima de um trio elétrico.
Silva ajudou a puxar o grito “Fora Temer”.
Orlando Silva também discursou e citou o caso da adolescente de 16 anos estuprada
no Rio de Janeiro. Afirmou que o machismo “leva homens a pensarem que
podem mandar nas mulheres” e que essa violência também tem forma de ”
homofobia e autoritarismo”. Nos três trios vinculados à Prefeitura
de São Paulo, no entanto, manifestações políticas e discursos políticos
estavam vetados, segundo o vereador Nabil Bonduki (PT).
Os trios se concentraram na avenida
Paulista, entre o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e a avenida
Brigadeiro Luis Antonio desde as 9h. No trecho, está o prédio da Fiesp
(Federação das Indústria do Estado de São Paulo), em frente ao qual
ainda há barracas montadas por manifestantes contrários a Dilma
Rousseff. Mesmo sem proteção policial, o clima foi de tranquilidade
nesse ponto da avenida.

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