Associated
Press – Autoridades de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) e
dos Estados Unidos afirmam que o Brasil não tem compartilhado dados e
amostras suficientes para se investigar a associação entre o vírus zika e
o surto de microcefalia, informou a agência de notícias Associated
Press (AP). A burocracia brasileira estaria prejudicando o
desenvolvimento de vacinas, medicamentos e testes para diagnóstico.
A
principal barreira seria uma lei em vigor no país que considera ilegal o
compartilhamento de material genético entre laboratórios e institutos
de pesquisas, o que inclui amostras de sangue infectado com zika e
outros vírus. Cientistas estrangeiros dizem que, por isso, não são
capazes de acompanhar o funcionamento e evolução do vírus. Em 2015, a
presidente Dilma Rousseff sancionou uma nova lei para organizar como
pesquisadores devem utilizar recursos genéticos do país, mas o marco
legal ainda não foi regularizado.
O chefe de
doenças transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde, Marcos
Espinal, disse à AP que o compartilhamento de amostras é muito
“delicado” e que é provável que até agora o país tenha providenciado
menos de 20 amostras. “Não é possível deixar isso para ser resolvido
depois. Esperar é sempre arriscado durante uma emergência”, afirmou
Espinal.
As
críticas ao Brasil se contrapõem às medidas anunciadas por Dilma e pelo
presidente dos EUA, Barack Obama. Na última sexta-feira, os dois
conversaram por telefone para tratar ações conjuntas no combate à
epidemia e acordaram a criação de um Grupo de Alto Nível para
desenvolver a parceria na produção de vacinas e produtos terapêuticos.
Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde declarou a epidemia de
vírus zika uma emergência mundial. A decisão abriu caminho para o
desenvolvimento de pesquisas e uma resposta internacional mais rápida à
propagação do vírus.
O
Ministério da Saúde afirmou, em nota, que está à disposição dos órgãos
internacionais desde o início das investigações da relação do vírus zika
com o aumento dos casos de microcefalia no país.
“Desde o
início de janeiro, representantes da agência do Departamento de Saúde e
Serviços Humanos dos Estados Unidos (CDC) estão no Brasil desenvolvendo
pesquisas em parceria com técnicos do Ministério da Saúde. Nesta
quinta-feira (4), encerra-se uma das parcerias com a agência americana,
um trabalho de campo que investiga entre a síndrome de Guillain-Barré e
sua relação com o vírus Zika, em Salvador (BA). Do total do material
coletado na pesquisa de campo, um terço ficará no Brasil e a outra parte
seguirá para os Estados Unidos. A medida já foi submetida à Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), que autorizou o envio do
material. Cabe ressaltar que o CDC é a referência para a Organização
Mundial de Saúde (OMS) em doenças transmissíveis”, diz trecho da nota.

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