A Associação Nacional de Transportes Públicos realizou comparativo de
dez anos sobre o custo da mobilidade urbana, coletando informações em
438 municípios com mais de 60 mil habitantes. Neles residiam 123 milhões
de pessoas, mais de 60% da população brasileira, circulando 37 milhões
de veículos. No total, a despesa da mobilidade urbana subiu de R$103,8
bilhões em 2004, para R$225,8 bilhões em 2013, uma elevação de 118%.
Enquanto isso, o indicador que mede o quanto as pessoas estão se
deslocando pelas cidades subiu muito pouco, visto quem em 2004, cada
habitante fazia uma média 1,51 viagem por dia, indicador que ficou 1,66
em 2013, uma elevação de 10%. Conforme a pesquisa, a frota de veículos
nos 438 municípios praticamente dobrou em dez anos, de 19 para 37
milhões. Não assustam os números devido ao fato de que deveria ter sido
descontada a inflação. Sem recorrer a manuais ou ao IBGE, 6% ao ano, em
média, daria 80%.
Linearmente, se 60% de 200 milhões (população da época) de habitantes
gastaram R$225,8 bilhões em 2013, para o universo o custo seria de
R$376,3 bilhões. O gasto por habitante seria de R$1.881,50 ao ano,
dividido por 365 dias, seria de R$5,15 por dia. É razoável aceitar este
número.
A diferença desta coluna com o que sai em jornais e livros é a procura
de algo substantivo na economia brasileira e que sirva para a sua
economia doméstica.
O levantamento mostra ainda que o tempo gasto em viagens, em vez de
diminuir com mais carros e motos, cresceu 28%. É o fenômeno dos
engarrafamentos. A despesa com mobilidade é a soma dos custos
individuais com tarifas, de motoristas com combustíveis, o de manutenção
das vias pelo poder público, com a poluição e com os acidentes de
trânsito. Consoante a pesquisa, os custos associados ao transporte
individual correspondem a 80% do total, apesar deles serem 31% das
viagens. A maior parte da despesa é realizada pelos
detentores de carros e motos, que consumiram 13,4 bilhões de litros de
gasolina em 2013.
Como fazem faltas os metrôs neste País. Em São Paulo, por exemplo, a
mobilidade está cada vez melhor. Não é para ser diferente. A França é
toda intercortada por eles há décadas. A solução um dia chegará para
quase todos.
por Paulo Brito

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