BBC BRASIL - O Centro de Controle de Doenças americano (CDC, na sigla em
inglês) alertou os sobreviventes do vírus ebola para que usem camisinha
obrigatoriamente ou evitem sexo no futuro próximo.
A orientação anterior era esperar 90 dias após ser declarado curado da
doença para ter relações sexuais sem proteção. Isso garantiria que o
vírus não seria transmitido a seus parceiros.
A mudança de orientação veio após a descoberta, por médicos da
Organização Mundial de Saúde (OMS), do caso de uma mulher liberiana de
44 anos que teria contraído o vírus após manter relações com um
sobrevivente, seis meses depois de ele ter sido curado.
Amostras foram enviadas para o CDC para exames e, se a hipótese for
confirmada, pode significar que o vírus sobrevive no sêmen masculino
mais que o dobro do período considerado originalmente.
"Mesmo que a amostra tenha sido positiva para fragmentos do vírus, isso
não prova que ele foi contraído sexualmente. É preciso ter muito cuidado
e muita clareza sobre isso", disse à BBC, em abril a médica Nathalie
Broutet, da OMS.
Alguns sobreviventes, no entanto, demonstraram irritação ao saber sobre a mudança na orientação sobre as relações sexuais.
A BBC falou com um motorista de ambulância liberiano, que afirmou que o
CDC deveria ser responsabilizado pelo fato de as instruções iniciais não
estarem corretas.
Um correspondente da BBC em Monróvia, capital da Libéria, afirmou que a
mensagem está sendo passada adiante e, de um modo geral, os
sobreviventes a estão levando a sério.
O ebola se espalha pelo contato com fluidos corporais de uma pessoa que
tenha o vírus ativo e apresente sintomas da doença, como febre alta.
Mas os especialistas ressaltam que pessoas recuperadas da doença não
oferecem risco ao público em geral e não devem ser isoladas.

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