A semana termina com uma vitória do governo no Congresso Nacional: a
aprovação da medida que torna os critérios para concessão de benefícios trabalhistas mais rígidos. Mas essa vitória teve um preço. Deputados aliados do governo querem cargos no Executivo.
A votação do ajuste fiscal foi tensa e longa. O placar foi apertado para
o governo: 252 votos a favor e 227 contra. Desses, 83 foram votos de
aliados que não atenderam aos apelos do governo. A conquista
dos votos favoráveis foi demorada. Às vésperas da votação foram várias
reuniões. Ministros participaram de muitas. Uma marcação cerrada com
parlamentares.
O vice-presidente Michel Temer tomou vários cafés da manhã e até almoçou
com a oposição. Virou o voto de oito parlamentares do oposicionista
DEM, que até fotografaram o encontro.
O deputado Danilo Fortes foi um dos aliados que votaram contra a medida.
Segundo o Palácio do Planalto, ele tinha indicado seis nomes para o
governo, mas não foi atendido. Admitiu que houve um troca-troca e citou
uma conversa do PMDB com o líder do governo, o petista José Guimarães.
“Ele se colocando como a resolução para as pendências em relação à
liberação de cargos, inclusive colocando o reconhecimento dos
parlamentares no apoio ao governo demonstraria uma gratidão posterior do
governo no atendimento às demandas daqueles parlamentares”, disse
Danilo Fortes.
Nem todos admitem. No próprio PMDB, o líder do partido na Câmara,
Leonardo Picciani, disse que não houve nenhuma exigência. Segundo ele,
as nomeações fazem parte de um movimento natural para concluir a
montagem do governo.
O governo não fala em troca-troca, mas logo depois da vitória o
vice-presidente disse claramente que quem votou a favor do ajuste vai
sim ter mais espaço no governo.
“Quem ganhou a eleição, quem apoiou o governo, quem ajudou a presidente Dilma vai governar junto. Governar junto significa participar maiormente ou minimamente das funções de governo”, afirmou Michel Temer.
E o governo tem muito espaço, muitos cargos para serem ocupados. Em empresas
públicas, agências reguladoras, nos ministérios. Já nos próximos dias
vai começar a distribuição dos cargos. Pelo menos 100 nomes deverão
estar no Diário Oficial. E a pressa é uma das exigências dos aliados, e
eles têm nas mãos a próxima votação ainda dentro do pacote de ajustes.
Fonte: 180graus.com

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