
Pedro Amauri de Oliveira na defesa da tese de doutorado em Direito - Foto: Universidade de Coimbra.
O Globo - O brasileiro Pedro Amauri de Oliveira, de 34 anos, se tornou o primeiro cego a concluir o doutorado em Direito na Universidade de Coimbra, em Portugal. Natural de Curitiba, no Paraná, o pesquisador desenvolveu a deficiência aos 20 anos de idade, após um medicamento para resfriado desencadear a síndrome de Stevens-Johnson, uma doença grave que atinge a pele e membranas mucosas, podendo causar cegueira.
Quando descobriu a doença, ele estava no primeiro ano do curso de Direito em uma universidade do Paraná, mas precisou abandonar a graduação por falta de acessibilidade. A decisão de se mudar para Portugal para continuar os estudos levou mais de três anos.
— Entrei na Universidade de Coimbra no ano letivo de 2013/2014. O que me levou foi a qualidade da faculdade de Direito, muito conhecida no Brasil, e o fato de que oferece um serviço especializado dirigido à inclusão — disse Pedro ao jornal Público, de Portugal.
Entre os serviços que a universidade oferece estão os programas de captura e leitura de tela, o que exige que todos os livros sejam digitalizados e convertidos em documentos Word ou PDF. Esses documentos, para serem lidos pelo programa, devem ter uma formatação específica e estar sem imagens.
No mestrado e doutorado Pedro se dedicou a pesquisar sobre os direitos das pessoas com deficiências. Para os estudos, ele conseguiu uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), de Portugal e, depois, uma bolsa da Fundação Fulbright, dos Estados Unidos.
— Fui o primeiro candidato deficiente visual a receber uma bolsa da FCT e também o primeiro da Fulbright. Trabalho na pesquisa jurídica sobre o direito das pessoas com deficiências. Todos os dias somos confrontados com obstáculos. É um tema negligenciado — afirma.
Pedro levou seis anos para concluir o doutorado, apenas um ano a mais que o convencional na Faculdade de Direito de Coimbra, porque dependia dos materiais acessíveis por parte da universidade. Além de pesquisador e doutor, o brasileiro é dirigente nacional da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAP).
— Precisei de mais um ano para terminar a tese porque o curso de Direito envolve muita leitura. Precisava esperar os serviços da universidade fazerem a conversão para o suporte acessível — contou ao jornal português.

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