A Lei nº 8.742/93, determina a base Legislativa do auxílio, que garante benefícios que sejam necessários para amparar indivíduos que se encontrem em “vulnerabilidade temporária”. Logo, o Decreto nº 6.307/07 garante o pagamento do benefício aos cidadãos e famílias que se encontram vulneráveis ou em situação de calamidade pública. Uma das pessoas que recebeu o benefício foi o fotógrafo Wilson Barbosa, que viu sua própria residência e outras 9 de sua família e parentes serem engolidas, total ou parcialmente, pela cratera. Junto foi também seu estúdio fotográfico e o comércio de sua mãe, que existia há 55 anos. Ele relata que conseguiu escapar junto de seus familiares usando apenas a roupa do corpo. Desde então, foi iniciada uma batalha não só para superar o ocorrido, mas também para conseguir justiça.

Wilson Barbosa é fotógrafo. Foto: José Aldenir/ Agora Imagens
O
fotógrafo diz que recebeu o primeiro auxílio financeiro após 3 meses da
tragédia. Com a perda do comércio da sua mãe e do seu estúdio
particular, que estava em funcionamento há apenas 2 anos, na época,
Wilson teve, praticamente, que começar do zero. Nos últimos 4
anos, foram 7 mudanças. Por muitas vezes Wilson teve que sair do lugar
onde morava de aluguel pelo atraso dos benefícios pagos pela prefeitura.
E ele não foi o único. “Parece que isso varia de gestão para gestão.
Houve a gestão de um certo secretário que chegou a atrasar 4 meses. E
foram dias bem complicados porque muita gente foi expulsa de casa mesmo.
Porque quem aluga quer receber”, diz.
De acordo com o fotógrafo,
os pagamentos estão sendo regulados com a última gestão, que vem pagando
mensalmente. No aguardo do conjunto habitacional que será construído no
bairro, a família de Wilson acha injusto não receber o proporcional do
que foi perdido. “Tinham pessoas que perderam suas casas, casas
pequenas, pois não tinham muitas condições. Já nós perdemos muito mais
do que isso. Perdemos tudo. Nosso comércio, o que o nosso trabalho nos
proporcionou. Então, para nós, para nossa família, um auxílio não
compensa o que perdemos”, afirma Wilson.
Sua mãe, Maria Lourdes
Torres, de 77 anos, não pensa diferente. “Foram 4 anos. Eu, com meu
comércio, imagina o que não teria lucrado nesse tempo. Eu vendia de
tudo. Meu comércio era o mais antigo do local. Eu nunca paguei aluguel e
hoje não temos quase nada”, afirma.

Maria Lourdes tinha um comércio há 55 anos. Foto: José Aldenir/Agora Imagens
Wilson
é conhecido como o porta-voz da comunidade, pois, por muitas vezes
representou as vítimas do desastre. E ele afirma que é difícil crer nas
promessas da Prefeitura, já que por 4 anos, ouviu inúmeras que não foram
cumpridas.
Durante 4 anos, as 41 famílias aguardam das autoridades
muito mais do que apenas um amparo financeiro. Eles querem justiça. E
Wilson promete que as vítimas não irão se calar. “Eu vou lutar e ficarei
no pé deles enquanto eu viver”, conclui. O secretário de
Habitação de Natal, Carlson Gomes, afirma que as 41 famílias
prejudicadas na tragédia de Mãe Luiza recebem o benefício que, pela Lei,
é de, no máximo, R$ 500,00 por mês e deve ser pago pelo período de 12
meses. A Prefeitura de Natal ainda ampara algumas das famílias atingidas
pelo desastre. Segundo o secretário, os auxílios estão
“rigorosamente em dia” e acontecem “normalmente no dia 20 de cada mês”.
Carlson afirma que os atrasos não acontecem mais. A família de
Wilson e outras 12 aguardam a construção da unidade habitacional que, de
acordo com a secretaria de Habitação, poderá estar pronta daqui há um
ano, caso “tudo dê certo”. A proposta para a construção da unidade já
foi aprovada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, no Ministério das
Cidades, e hoje aguarda a liberação da Caixa Econômica para ser posta em
ação. A Prefeitura, por sua vez, abrirá um edital para a seleção da
empresa que irá trabalhar na construção.

Local onde aconteceu o desabamento possui agora uma escadaria.
Foto: José Aldenir/ Agora Imagens
Foto: José Aldenir/ Agora Imagens

0 comments :
Postar um comentário