Terrenos de luxo na Praia de Pipa / Reprodução
A praia da Pipa, hoje o mais conhecido cartão postal do Rio Grande do
Norte fora do Brasil, foi destaque na capa do Jornal O Globo deste final
de semana. Mas não pelos atrativos turísticos e belezas naturais. A
reportagem expõe a possibilidade do terreno onde hoje está sendo erguido
um grande empreendimento na rua principal da Pipa, o Ile de Pipa, cujas
obras estão bastante avançadas, ser do traficante Fernandinho Beira
Mar. A reportagem causou revolta nos grupos de whattsapp e junto aos
moradores da Pipa, que aproveitaram para denunciar possíveis
irregularidades ambientais alegando as fotos aéreas apresentadas pela
imprensa.
Informações apuradas pelo Novo dão conta que o empreendimento, cuja
campanha publicitária foi estrelada pela atriz global Cláudia Raia, foi
quase todo vendido, restando apenas as últimas unidades. Alguns clientes
que compraram já demonstram preocupação com os desdobramentos da
questão jurídica levantada pela imprensa. “É um investimento alto. Todas
as nossas economias foram aplicadas aí. Estamos preocupados e
procurando informações. A empresa não se pronunciou”, informa um cliente
que adquiriu um apartamento, mas pediu para não ser identificado.
A área do terreno de 17 mil metros quadrados é alvo de disputa entre
Fernandinho Beira Mar e a sua ex defensora, a advogada Cecília Mara
Machado. A advogada e o marido dela são denunciados por lavagem de
dinheiro e organização criminosa, segundo aponta o jornal. A reportagem
narra que uma prova forte é um bilhete escrito a mão por Beira-Mar, onde
ele reclama ser o dono do terreno e determina que a advogada devolva
tudo o que é dele.
Segundo a denúncia, o traficante passou o terreno a Cecília Machado para
esconder que era o verdadeiro dono. A advogada nega e diz que o
terreno, vendido em 2016, já pertencia ao marido quando começou a
advogar para Beira-Mar. A matéria pode ser a ponta do iceberg de uma
longa história que envolve desde lavagem de dinheiro do tráfico até
negociações envolvendo questões ambientais. O Ministério Público Federal
já tem conhecimento do fato.

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