Magno Martins - No
interior de São Paulo, há uma frase feita a respeito de chefe: “Quem
tem chefe é índio”. Coincidência: o presidente do Senado, Eunício
Oliveira, fiel dos fieis de Michel Temer, tem o apelido de Índio. Ele
acaba de dizer que é eleitor de Lula e é nele que, “obviamente”, deve
votar nas eleições do ano que vem, se o PMDB não tiver candidato próprio
e com acordos locais para decidir quem indica quem para cada cargo. Traduzindo, se não estiver garantida a ele, Eunicio, uma candidatura forte ao Senado pelo Ceará.
Segundo
Eunício, o PMDB é um partido livre. “Livre” é uma palavra bonita, uma
das preferidas deste colunista. Mas não é em todos os lugares, nem em
todas as épocas, que “livre” é uma palavra elogiosa. Conforme o lugar,
conforme a época, dizer que uma senhora tem comportamento livre é tudo,
exceto um elogio. Em certos partidos, também. Pode significar que, a
menos que haja garantias de sucesso em certas áreas, as palavras “livre”
e “traidor” se transformam em sinônimos perfeitos.
E,
a propósito, há lógica na união, ao menos regional, de PT e PMDB. No
Nordeste, Lula é o político mais popular; e o PMDB tem de longe a melhor
estrutura, com mais prefeituras e mais tempo de televisão. Ambos são
pragmáticos, digamos. Unir-se e ganhar juntos, muito, é o que querem.

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