Do UOL – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
declarou neste sábado (27), por videoconferência em uma reunião da FAO
(Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), que
os esforços para impedir sua candidatura à Presidência apenas o tornam
mais forte. “Não querem que eu seja candidato porque quanto mais me acusam,
quanto mais me perseguem, mais eu subo nas pesquisas”, declarou Lula em
um discurso transmitido a um congresso sobre a luta contra a fome da FAO
em Adis Abeba, na Etiópia, do qual Lula deveria ter participado.
Lula foi condenado na última quarta (24) pelo TRF-4 (Tribunal
Regional Federal da 4ª Região) a 12 anos e um mês de prisão no chamado
caso do tríplex no Guarujá (SP). Ele viajaria nesta sexta para a Etiópia
para participar de um evento da FAO sobre a erradicação de fome no
mundo. Entre as atividades previstas, Lula faria um discurso sobre ações
de seu governo no Brasil, como o programa Fome Zero. A viagem, no entanto, foi abortada depois que o juiz federal Ricardo
Leite decretou a apreensão do passaporte do ex-presidente, na última
quinta-feira (25). Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito
Federal, atendeu a um pedido do MPF (Ministério Público Federal)
relativo ao processo que apura o suposto pagamento de propina a Lula no
episódio envolvendo a venda de caças para a FAB (Força Aérea
Brasileira).
O magistrado justificou a decisão alegando que haveria o
risco de Lula “fixar residência” em outro país. “Sabem que se for candidato – contra os meios de comunicação em meu
país, contra as elites brasileiras – minhas possibilidades de ganhar as
eleições no primeiro turno são absolutas”, disse Lula na
videoconferência. Lula criticou, mais uma vez, a Operação Lava Jato e disse que o Brasil vive uma “ditadura” conduzida pelo Poder Judiciário. “Nós vivemos um momento de uma ditadura de uma parcela do Poder
Judiciário, sobretudo o Poder Judiciário que cuida de uma coisa chamada
Operação Lava Jato”, disse o ex-presidente.

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