Agência Brasil - O Facebook divulgou hoje (29), pela primeira vez, seus princípios sobre a privacidade de dados dos usuários e anunciou uma campanha de esclarecimento sobre
a política de privacidade da empresa. A iniciativa propõe explicar como
a empresa utiliza os dados coletados de seus usuários e como estes
internautas podem controlar as informações disponibilizadas em seus
perfis.
O anúncio ocorre logo após o Dia Internacional da Privacidade de
Dados, celebrado ontem (28) justamente para aumentar a consciência das
pessoas sobre a importância da privacidade e proteção de dados pessoais
em ambientes digitais. Instituída em 2006, a data é um chamado para
pesquisadores, ativistas, empresas, autoridades e usuários refletirem
sobre o tema.
Princípios
Entre os princípios de privacidade do Facebook estão o controle da
divulgação de informações pelos usuários; medidas de explicação sobre o
uso de dados por meio da Política de Dados e de mensagens informativas; e
a preocupação com a proteção de dados no desenvolvimento de soluções
tecnológicas. A empresa também incluiu nas orientações ações de segurança da
informação para evitar vazamentos e outros acessos indevidos aos dados
mantidos pela plataforma; a escolha pelo usuário do público de suas
mensagens, bem como a chance de exclusão dos conteúdos publicados; e a
busca pela melhoria constante nos controles de privacidade. “Reconhecemos que as pessoas usam o Facebook para se conectar, mas
nem todos querem compartilhar tudo com todos – incluindo conosco. É
importante que você tenha escolhas quando se trata de como seus dados
são usados”, disse a diretora de privacidade da companhia, Erin Egan, em
nota divulgada nesta segunda.
Uma das ações anunciadas pela campanha é a simplificação do acesso às
informações sobre privacidade dentro da plataforma. Atualmente, ela
disponibiliza uma página denominada Noções Básicas de Privacidade e outra chamada Políticas de Dados.
A primeira inclui informações sobre a privacidade nos diversos serviços
e funcionalidades da rede social, incluindo a ferramenta de controle das configurações. Já a segunda traz explicações acerca de como os dados são coletados, tratados e usados pela empresa. No comunicado divulgado nesta segunda, Erin Egan, informou que a
companhia pretende centralizar e simplificar as informações e os
sistemas de controle das configurações de privacidade. Mas não deu mais
detalhes de quando nem como isso será feito.
Gerenciamento de privacidade
O Facebook apontou como um dos focos da campanha divulgar melhor as ferramentas de controle de privacidade.
Elas permitem, por exemplo, definir o público destinatário de uma
publicação, se amigos, amigos de amigos ou listas de contatos. Na administração do perfil, há a funcionalidade de escolher quem pode
acessar quais informações. O nome e a foto são sempre públicos. Mas
informações como local de trabalho e idade podem ser expostas para
determinadas pessoas e não para outras. O mesmo é válido para listas de
amigos, comentários, marcações e mensagens na linha do tempo.
Avanço parcial
Na avaliação de Maria Cecília Oliveira Gomes, especialista em
regulação de novas tecnologias e monitora do curso de proteção de dados
da Universidade Mackenzie, de São Paulo, a divulgação dos princípios de
privacidade é um movimento positivo do Facebook de ampliação da
transparência sobre suas atividades. Para ela, parte da motivação da
empresa está relacionada à adaptação aos princípios da nova legislação
europeia, que entrará em vigor neste ano. “A plataforma está tentando se tornar mais transparente e fazendo
ações de educação, mas não acho que são ações suficientes. Não há
transparência absoluta em relação ao que é feito com os dados dos
usuários.
O Facebook inclusive já enfrentou questionamentos sobre a
falta de transparência em relação a isso e aos algoritmos que usa”,
disse. Um exemplo de medida de transparência, sugere a especialista, seria
deixar mais claras as informações coletadas para a publicidade
direcionada. “A própria pessoa que faz anúncio direcionado não tem
conhecimento geral de quais dados são coletados. Isso seria algo
interessante, até porque neste ano teremos eleições e este recurso será
adotado”, complementa Maria Cecília.
Poder excessivo
Para Amanda Yumi Ambriola, especialista em tecnologia e integrante da
associação Garoa Hacker Clube, a despeito dos princípios ainda há
sérios riscos à privacidade dos usuários do Facebook. A rede social concentra informações de mais de dois bilhões de
usuários, segundo site oficial da empresa, e pode mudar sua política de
privacidade. “As regras do jogo podem mudar com frequência e não são
válidas para apenas publicações e contatos novos, mas sim, para todo seu
histórico lá salvo”, alerta Amanda. A pesquisadora acrescenta que, mesmo afirmando estar preocupado com a
privacidade dos usuários, o Facebook ainda coleta uma grande quantidade
de dados e os fornece para anunciantes sem que o usuário saiba como
suas informações estão sendo geridas.

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