Fonte - Apresentação da proposta foi transferida pela Justiça de segunda-feira para 6 de novembro. Quem tinha até R$ 50 mil a receber teve chance de fechar acordo. No Estado foram 2 mil acertos até quinta-feira. Protagonista do maior processo de recuperação judicial do país, com
uma dívida de R$ 64 bilhões, a Oi se aproxima de uma data que pode ser
decisiva para a sobrevivência da empresa, enredada em uma disputa entre
acionistas e grandes credores. Sem acordo à vista, a companhia sofre a
ameaça de intervenção do governo federal e perda da concessão, além do
risco de ter falência decretada.
Marcada para segunda-feira (23), no Rio, a assembleia para apreciar novo
plano de reestruturação foi transferida pela Justiça, a pedido de
credores, para 6 de novembro. A Oi, que se agigantou com o empurrão do
Planalto à época do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser uma
supertele nacional, acabou à beira da bancarrota. A linha cruzada entre os credores internacionais e
controladores é centrada no percentual do capital da empresa que passará
aos detentores das obrigações em troca das dívidas. A maior oposição à
proposta da Oi vem dos grupos assessorados pelo banco de investimentos
Moelis & Company e pela consultoria G5/Evercore, que teriam R$ 22
bilhões a receber.
Enquanto esse grupo
pleiteia a entrega de 88% da Oi em troca das dívidas, tomando as rédeas
da empresa, a tele propõe renegociar as condições de dívidas de R$ 5,8
bilhões, além da transformação de R$ 3 bilhões em até 25% do capital. Em
nota, Moelis & Company e G5/Evercore consideraram que a proposta
“ignora as preocupações dos credores, ameaça a viabilidade da empresa a
longo prazo e enriquece, abusivamente, os atuais acionistas”. Bratel
(controlada pela Pharol, ex-Portugal Telecom) e o empresário Nelson
Tanure são hoje os principais controladores.
Ao mesmo tempo, a Oi montou um programa que se encerrou
na quinta-feira (19) para fechar acordo com os 53 mil credores – do
total de 55 mil – que têm até R$ 50 mil para receber. Cerca de 33 mil se
cadastraram para participar e 25 mil acertos foram selados, envolvendo
R$ 410 milhões. No Estado, mais de 2 mil firmaram acordo com a
companhia, para receber R$ 44,5 milhões.
Paulo
Wyss, diretor de reestruturação de negócios e finanças corporativas da
Mazars Cabrera, consultoria especializada em auditoria, avalia que,
diante do impasse com os grandes credores, a situação mais adequada
seria intervenção do governo federal, retomada da concessão e repasse
para que outro operador injete capital na companhia e comece a pagar os
credores. Nas mãos dos atuais acionistas
ninguém vai colocar o dinheiro necessário para a empresa ter mudança
expressiva. A Oi não tem capacidade de se alavancar (obter crédito para investir), e diretores e acionistas não colocam na mesa plano viável a longo prazo – afirma Wyss.
Para os grandes credores
-Trocar
a dívida atual por uma nova, com a emissão de debêntures de R$ 5,8
bilhões, mais conversão de R$ 3 bilhões em 15% ou 25% do capital da
empresa. Capitalização de R$ 9 bilhões. Desse
total, R$ 6 bilhões em recursos novos para reforçar o caixa (R$ 3,5
bilhões seriam de credores da dívida externa que estiverem interessados
em aumentar sua fatia e outros R$ 2,5 bilhões de acionistas e captados
no mercado) e o restante, conversão de dívida em ações.
Para os menores
-Dos
cerca de 55 mil credores da Oi – sendo cerca de 5,9 mil no Estado –,
aproximadamente 53 mil têm valores até R$ 50 mil para receber. Esse
grupo tinha até quinta-feira (19) para aderir a um acordo de pagamento. A
quitação ocorreria em duas parcelas. A primeira, correspondente a 90%
do valor, em até 10 dias úteis após a assinatura do termo de acordo. Os
10% restantes até 10 dias úteis após a homologação do plano de
recuperação judicial.

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