Em
setembro deste ano, o general do Exército Antonio Hamilton Mourão
discursava com autoridade. A uma plateia atenta, ele se mostrava
incomodado com a corrupção que atinge o país e disse que os militares
estariam dispostos a executar uma intervenção se o Judiciário não
“resolver o problema político”, numa alusão a políticos corruptos.
O discurso de Mourão causou polêmica e refletia a tese propagada por
grupos que defendem uma eventual intervenção militar de que as Forças
Armadas estariam “imunes” à corrupção e, portanto, poderiam dar um fim à
crise política vivida pelo país nos últimos anos. Investigações conduzidas pelo MPM (Ministério Público Militar) e um
levantamento inédito do STM (Superior Tribunal Militar) feito a pedido
do site UOL mostram, porém, que, assim como as demais instituições brasileiras, as Forças Armadas também sofrem com os casos de corrupção.
Denúncias feitas pelo MPM apontam para desvios milionários praticados
tanto por praças quanto por oficiais de alta patente. Os casos vão de
cobrança de propina em contratos a roubo de peças de tanques militares.
Nas informações recebidas pelo site UOL e veiculadas na Imprensa são
evidenciados que mais de uma centena de militares já foi condenada por
crimes como esses entre 2010 e 2017 e que a falta de transparência no
controle dos gastos pode criar o ambiente perfeito para que a corrupção
se propague.
“Corrupção, peculato e estelionato”
O MPM (Ministério Público Militar) identificou, nos últimos dez anos,
desvios de pelo menos R$ 191 milhões nas Forças Armadas. Boa parte
deste valor é resultado de crimes como fraudes a licitações, corrupção
passiva, ativa, peculato e estelionato. O valor é resultado de um
levantamento feito pelo UOL com base em informações repassadas pelo MPM.

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