TCE-RN - O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) criou uma comissão para
auditar as 313 obras paralisadas e inacabadas no Estado. Essas obras
estão localizadas em pelo menos 100 dos 167 municípios, onde a
Inspetoria de Controle Externo da Corte conseguiu realizar o
levantamento preliminar das projetos que estão nessa situação, com R$
308 milhões investidos de um volume previsto de R$ 600 milhões.
A secretária de Controle Externo do TCE, Anne Emilia Costa Carvalho,
designou os inspetores Francisco Marcelo Assunção de Queiroz e Telma
Galvão de Carvalho para executarem a auditoria por amostragem e com
prazo de conclusão previsto para março de 2018, conforme determina o
Plano de Fiscalização Anual 2017/2018 da Corte de Contas.
"Esse trabalho é continuidade daquele primeiro levantamento anunciado
em 18 de maio, agora a auditoria será feita em algumas obras que foram
mapeadas e selecionadas para a amostragem, porque não dá para auditar
todas elas", explica o diretor da Inspetoria de Controle Externo do TCE,
José Monteiro Coelho Filho: "É um trabalho praticamente inédito, porque
não se fez um levantamento tão abrangente".
José Monteiro Filho
disse que, apesar do levantamento inicial anunciado em maio pelo
conselheiro do TCE, Tarcísio Costa, a auditoria vai apurar mais
detalhadamente as causas da paralisação e abandono de obras, por
exemplo, identificar mais amiúde os recursos investidos "e se houver
dano ao erário", encaminhar o resultado para a apuração de
responsabilidades.
Monteiro Filho diz que a contrapartida do Estado e Municípios "é
muita pequena", a maior parte de recursos são provenientes do Orçamento
Geral da União (OGU), que são auditados pelo Tribunal de Contas da União
(TCU) e Controladoria Geral da União (CGU). Em princípio,
segundo Monteiro, a auditoria deverá ser concluída em março do próximo
ano, "mas pode acontecer de ser concluída antes ou passar um pouco do
prazo". Porém, ele avisa que antes o TCE deverá organizar um painel, em
data a ser anunciada, com os gestores públicos e outras instituições
"para se discutir esse problema das obras paralisadas e inacabadas".
O
presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn),
Benes Leocádio”, Benes Leocadio, avalia, inicialmente, “como positiva a
ideia do TCE de tomar pé dessa realidade das obras paradas no Estado”. Depois, afirmou Benes Leocádio, “é preciso usarmos esse levantamento a
favor dos municípios ou dos entes mais prejudicados, que contratam
obras quase que exclusivamente com o governo federal através de emendas
de parlamentares ao Orçamento Geral da União (OGM) e que ficam, como a
gente está vendo acontecer, pendurados no pincel".
Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) indicam que das 313 obras
fiscalizadas, houve vistoria “in loco” em 57% delas. Numa primeira fase
fiscalizou-se obras no valor acima de R$ 100 mil e em municípios com
mais de 20 mil habitantes. Na segunda fase, a ideia era fiscalizar as
obras de todos os 167 municípios potiguares, com obras acima de R$ 50
mil, mas menos da metade – 43%, responderam aos questionários do TCE.A
Inspetoria de Controle Externo da Corte constatou que das 313 obras
fiscalizadas, a maior parte (58%) tinham financiamento federal,
enquanto 37,2% são de recursos estaduais e apenas 4,8% de recursos
próprios dos municípios.
Das 313 obras, as paralisadas eram 58%,
com investimentos de R$ 268 milhões (87%) e as inacabadas 42%, onde
foram investidos R$ 40,28 milhões (13%). As maiores causas são atrasos
ou suspensão dos repasses financeiros da União (40,3%) ou por distrato
ou abandono das obras pelas construtoras (15,7%), segundo o trabalho do
TCE, que vem sendo realizado desde 2015.
O maior número de obras
inacabadas ou paralisadas são de estradas e pontes (55%), além esporte e
lazer (17,6%) obras de abastecimento de água (16%), habitação (15,7%)
drenagem e pavimentação (12,2%). O trabalho abrangeu prefeituras do Rio Grande Norte, além de secretarias estaduais e órgãos da administração estadual indireta.
Investimentos já feitos em obras paradas e inacabadas
R$ 600.056.928,18
Valor aplicado
R$ 308.452.363,67
181 paralisadas
R$ 268.164.714,75
132 inacabadas
R$ 40.287.648,92
Origem dos investimentosUnião
58%
Estado
37,2%
Municípios
4,8%

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