Escolha sua metáfora para o desafio que o eleitor brasileiro enfrenta
na sua tarefa de escolher o próximo presidente da República. Jogar numa
loteria sem prêmio talvez seja a descrição mais sintética e adequada. O
Datafolha divulga neste domingo dados paradoxais sobre Lula. O governo
do pajé do PT é visto como o mais corrupto por 32% do eleitorado. Embora
supere até a gestão de Fernando Collor no quesito roubalheira, Lula
ampliou sua liderança na corrida presidencial. Jair Bolsonaro, defensor
da ditatura militar, cresceu e divide a segunda colocação com Marina
Silva.
Quer dizer: o eleitor brasileiro oscila entre o ‘rouba, mas faz’ e o
‘dane-se’. Ou, por outra, o eleitorado se divide entre o lamentável e o
impensável. Faltam 17 meses para a disputa presidencial. Uma pesquisa
feita com tanta antecedência vale mais pelo que sinaliza do que pelos
percentuais que exibe. E o Datafolha sinaliza duas coisas: 1) A Lava
Jato desconstruiu a conjuntura política. Gente poderosa tornou-se
impotente. 2) Falta matéria-prima para erguer sobre os escombros algo
que não se pareça com um novo desastre.

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