Estadão Conteúdo - O Ministério Público Federal (MPF) fez uma nova proposta para fechar o
acordo de leniência com o grupo J&F, que controla a JBS, mas não
quer abrir mão da cifra de R$ 11 bilhões. Houve um desconto na multa,
mas muito pequeno, de cerca de R$ 170 milhões. A concessão que foi feita
pelos procuradores diz respeito ao prazo de pagamento. Antes, a dívida
deveria ser paga em 10 anos e agora poderá ser quitada em 13 anos. Ficou
determinado ainda que o acordo será fechado exclusivamente com a
holding J&F, que será responsável pelos pagamentos, eximindo as
demais empresas do grupo do compromisso.
A J&F começou as negociações com o MPF oferecendo pagar R$ 700
milhões. Essa postura mudou bastante em duas semanas e ao fim da semana
passada a empresa chegou a oferecer R$ 8 bilhões. O valor, no entanto,
foi prontamente rejeitado pelos procuradores da Força-Tarefa da Operação
Greenfield. Eles alegam que o valor de R$ 10,994 bilhões pedido agora
para a empresa seria o suficiente para ressarcir os fundos de pensão, a
Caixa, o BNDES e a União pelas perdas que teriam tido com a atuação da
empresa, que admitiu pagar propinas para obter recursos para sua
expansão.
Segundo comunicado enviado ontem pelo MPF, o acordo prevê ainda que a
divisão dos recursos ficará da seguinte forma: os fundos de pensão
Petros e Funcef, que eram sócios da Eldorado e da própria JBS, ficarão
com 25%; o BNDES, que fez aportes de capital na empresa JBS, com outros
25%; o FI FGTS, que emprestou recursos à Eldorado, com 6,25%; a Caixa,
que financiava todo o grupo, com 6,25%; e o restante, 12,5%, com a União
Federal. Os procuradores também querem que qualquer multa acertada com
autoridades no exterior seja 50% dela destinada às entidades
brasileiras.
Os novos cálculos da Força-Tarefa levaram em conta os dados oficiais
divulgados pela empresa do faturamento do ano passado, já descontados os
impostos, que foi de R$ 183,244 bilhões. O porcentual aplicado foi de
6%. A diferença de valores com a primeira proposta, que era de R$ 11,17
bilhões, se deu basicamente pelo fato de os números do faturamento ainda
não terem sido divulgados oficialmente – considerava os impostos e o
porcentual aplicado era de 5,98%. Não há prazo para fechar o acordo.

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