Da Veja - A substância passa inalterada pela digestão no corpo. Está, portanto, presente na urina e é facilmente detectada, mesmo em piscinas com água clorada. A concentração da substância nas piscinas e banheiras variou até 7.110
nanogramas por litro, até 570 vezes mais do que os níveis encontrados na
água da torneira. (veja.com/AP).
Você lembra quando uma das piscinas ficou esverdeada durante os Jogos
Olímpicos Rio 2016? O comitê olímpico explicou na época que a cor
devia-se a proliferação de algas. Ainda assim, muitos comentários nas
redes sociais associaram à urina, o que não é incomum. A qualidade da
água é um problema quando se trata de piscinas públicas e, embora não
torne a água verde, a urina pode representar perigos. Pensando nisso,
cientistas na Universidade de Alberta, no Canadá, utilizaram uma técnica
curiosa para medir a quantidade de urina em piscinas: um adoçante.
Adoçante
Em pesquisa, publicada no jornal científico Environmental Science
& Technology Letters, utilizou-se o ‘acessulfame-K’, um adoçante
sintético derivado de potássio como base. Todas as piscinas e banheiras
de hidromassagem (Jacuzzi) testadas com o produto continham urina. O
motivo para o uso do adoçante, presente em muitos alimentos processados
do mercado, é o fato de a substância passar inalterada pela digestão no
corpo. Está, portanto, presente na urina e é facilmente detectada, mesmo
em piscinas com água clorada. Não é possível usar o método de detecção
em casa, mas a descoberta se configura como um importante passo para o
desenvolvimento de um dispositivo capaz disso.
Reações tóxicas
O problema da urina é que segundo os pesquisadores, embora seja estéril, ela reage com o cloro formando subprodutos tóxicos,
como o tricloreto de nitrogênio, que pode irritar os olhos. Em
ambientes fechados de piscina, essa substância pode acumular no ar,
causando até mesmo ataques de asma. Por causa da reação, sobra menos cloro na piscina para desinfetá-la, tornando o ambiente propício para o acúmulo de bactérias e parasitas, que sobreviver até dez dias no ambiente e causar diarreias e outras doenças.
Uma das autoras do estudo, Lindsay Blackstock, doutoranda em
toxicologia analítica e ambiental na Universidade de Alberta, disse que
nem sempre a urina na água pode fazer mal. Mesmo assim, segundo a
especialista, o ideal é que os nadadores tomem uma ducha e, sobretudo,
façam suas necessidades antes de entrar.

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