Magno Martins - A
assessoria do Palácio do Planalto anunciou neste domingo (28), por meio
de nota, que o presidente Michel Temer decidiu transferir o ministro
Torquato Jardim, do Ministério da Transparência, para o comando do
Ministério da Justiça, substituindo Osmar Serraglio (PMDB-PR), que
estava no cargo desde março. A informação foi antecipada neste domingo
pelo colunista do G1 e da GloboNews Gérson Camarotti. Temer decidiu promover uma troca de lugares, e Osmar Serraglio será ministro da Transparência no lugar de Torquato.
Jurista especializado em direito eleitoral, Torquato entrou para o governo em junho do ano passado, sucedendo Fabiano Silveira, que deixou o Ministério da Transparência menos de um mês depois de tomar possa em razão de um escândalo. À época, reportagem exclusiva do Fantástico revelou o conteúdo de gravações nas quais Silveira criticava a atuação da Procuradoria Geral da República (PGR) na Operação Lava Jato e dava orientações ao então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, ambos investigados por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
A curta passagem de Serraglio pelo Ministério da Justiça foi marcada
por polêmicas, entre as quais o fato de ele ter sido citado nas
investigações da Operação Carne Fraca, que apura um esquema de pagamento
de propinas envolvendo frigoríficos e fiscais do Ministério da
Agricultura. Ele apareceu em um dos grampos da Operação Carne Fraca. Na
ligação, o agora ex-ministro fala com um dos líderes do esquema
investigado pela Polícia Federal, o ex-superintendente regional do
Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho.
Serraglio chama o ex-superintendente de “grande chefe” na conversa
telefônica interceptada pelos agentes federais e fala sobre a ameaça de
fechamento de um frigorífico. À época em que a operação foi deflagrada, a
PF informou que não havia indício de crime por parte do então ministro
da Justiça. No curto comunicado no qual informou a ida de Torquato para o
Ministério da Justiça, o governo não trata do possível troca-troca
ministerial e também não explica o motivo da saída de Serraglio do
comando da pasta.
A nota se limita a dizer que Temer "agradece o empenho e o trabalho
realizado" pelo agora ex-ministro da Justiça e espera continuar contando
com o apoio dele "em outras atividades em favor do Brasil". "O
presidente da República decidiu, na tarde de hoje, nomear para o
Ministério da Justiça e Segurança Pública o professor Torquato Jardim.
Ao anunciar o nome do novo Ministro, o presidente Michel Temer agradece o
empenho e o trabalho realizado pelo deputado Osmar Serraglio à frente
do ministério, com cuja colaboração tenciona contar a partir de agora em
outras atividades em favor do Brasil", diz a íntegra da nota do
Planalto.
Rocha Loures
A nota oficial da saída de Serraglio não disse que ele iria para
outro ministério, o que só foi esclarecido cerca uma hora depois. Nesse período, especulou-se o que aconteceria com o deputado Rodrigo
Rocha Loures (PMDB-PR). Caso Serraglio voltasse à Câmara, Rocha Loures
(que é suplente) perderia a vaga na Câmara e o foro privilegiado no
Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-assessor de Temer no Planalto, Rocha
Loures é investigado pela Operação Lava Jato por suspeita de ter
recebido propina do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS.

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