
Siham Ouchtou (av)*Narciso Contreras
Fotos do mexicano Narciso Contreras dão forma palpável aos "novos escravos" da crise migratória.
Organizações internacionais e a mídia têm dado destaque à luta dos
refugiados na Líbia. No entanto, um relatório da Organização
Internacional para as Migrações (OIM), divulgado em meados de abril,
lança nova luz sobre o tema, ao trazer os testemunhos de migrantes
mantidos nos "mercados de escravos" daquele país norte-africano.
O fotógrafo mexicano Narciso Contreras foi um dos primeiros a capturar o
sofrimento desses refugiados, num trabalho sobre a escravidão que lhe
valeu um prêmio da Fundação Carmignac. Como comentou à DW, ele considera
o relatório da OIM importante, mas ainda incompleto, por ignorar
aspectos vitais, como o envolvimento das milícias ligadas ao governo no
tráfico e escravização dos migrantes.
Certos observadores consideram o fenômeno da venda de refugiados como
escravos é novo na Líbia. "Esse é o resultado do caos continuado no país
e da falta de uma autoridade centralizada que combata esses crimes",
analisa Rachid Khechana, diretor de Estudos Líbios no Centro do Magrebe
em Túnis. Por outro lado, acumulam-se os apelos de Estados europeus por
uma intervenção que dê fim à tragédia dos migrantes escravizados.
Questão de dinheiro
De acordo com a OIM, a Líbia tem "mercados de escravos onde os migrantes
são vendidos por um preço entre 200 e 500 dólares". Eles são forçados a
trabalhar, muitas vezes sem pagamento, e alguns sofrem abusos sexuais.

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