Estadão - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz palestra no fórum "Desenvolvimento, inovação e integração regional", em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nesta sexta-feira (6). Pesquisa Datafolha concluída nesta quinta-feira (5) mostra que, se fosse candidato, ele teria 44% dos votos totais...
O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz palestra no fórum
"Desenvolvimento, inovação e integração regional", em Porto Alegre, no
Rio Grande do Sul, nesta sexta-feira (6). Pesquisa Datafolha concluída
nesta quinta-feira (5) mostra que, se fosse candidato, ele teria 44% dos
votos totais.
O empresário Léo Pinheiro, da
OAS, disse que a empreiteira "pagou mais de US$ 1 milhão" ao
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por palestras no exterior. Ao
todo, disse o ex-presidente da OAS, foram cinco eventos, ou US$ 200 mil
por palestra. No interrogatório a que foi submetido pelo juiz Sérgio
Moro na quinta-feira, 20, Léo Pinheiro falou das palestras quando
explicava detalhes até então desconhecidos da Lava Jato sobre o triplex
do Condomínio Solaris, no Guarujá - cuja propriedade a força-tarefa do
Ministério Público Federal atribui a Lula, o que é negado por sua
defesa.
"A relação com o ex-presidente era minha, a relação com o
Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) era minha. Estive com o
Paulo Okamotto e o João Vaccari (ex-tesoureiro do PT, preso na Lava Jato
desde abril de 2015), como nós íamos operacionalizar isso, mas a
reforma já tinha sido feita e gasta", afirmou Léo Pinheiro.
O
empresário disse que "avisou" o ex-tesoureiro do PT. "Eu avisei o João
Vaccari, eu não posso continuar, um investimento muito alto. Para ter
uma ideia, só para esclarecer um pouco mais o que estou dizendo, o lucro
daquele empreendimento praticamente estava indo embora na reforma que
estava fazendo em um apartamento só, eram cento e tantos, tinha que ser
dada uma solução e foi dada a solução."
Neste trecho do
depoimento, Léo Pinheiro revelou a origem dos recursos que, segundo ele,
a OAS teria investido nas obras do triplex. Ele incluiu contratos da
empreiteira com a Petrobras no âmbito da Refinaria Abreu e Lima
(Renest), em Pernambuco - primeiro grande contrato da estatal
petrolífera que a Polícia Federal apontou irregularidades na Lava Jato. "A OAS Empreendimentos não teve prejuízo na reforma porque foi paga
através da Renest da obra da Petrobras, num encontro de contas, dela e
de outras obras."
"Eu procurei o João Vaccari algumas vezes, ao
Paulo Okamotto, de como iríamos operacionalizar prá passar no nosso
nome. Tínhamos um elo entre o Instituto Lula com várias doações feitas,
estão aí todas declaradas. E as palestras no exterior, fizemos, senão me
falha a memória, cinco palestras. Só a OAS pagou em palestras mais de
um milhão de dólares", revelou o empreiteiro.
"Foram dadas as palestras?", questionou o criminalista Cristiano Zanin Martins, defensor de Lula. "Foram dadas, ninguém está falando o contrário", respondeu Léo
Pinheiro. "Existia um vínculo comercial que poderia ser resolvido isso,
já existia um hábito, transações comerciais entre a OAS, o Instituto
Lula e as palestras, mas nunca foi resolvido esse assunto."
Defesa
Quando o empresário Léo Pinheiro foi interrogado, na quinta-feira, 20, a
assessoria do advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do
ex-presidente Lula, divulgou a seguinte nota:
"Léo Pinheiro no
lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal
Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como
pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da
prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que
sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a
palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive
funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel.
A versão
fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo - não presenciado
por ninguém - no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação
de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o
próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha
com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um
e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido
apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência.
A
afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também
incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo
Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em
garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade
164-A.
Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia
essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento
para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com
relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos
anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o
apartamento como ativo da empresa. Léo Pinheiro negou ter
entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também
reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-presidente.
Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados
entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do
apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali
narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a
verdade dos fatos."

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