Pesquisadores brasileiros conseguiram pela primeira vez reproduzir em
laboratório o modelo mais realista das malformações congênitas causadas
pelo vírus da zika, como a microcefalia. Eles também descobriram que ela
está relacionada com a segunda e a quarta semana de gestação nos seres
humanos.
Antes, acreditava-se que o maior risco estava em outra fase da
gravidez. “Nós pensávamos que a exposição crítica seria um pouco mais
tardia, por volta do início do segundo trimestre. Mas, os nossos estudos
mostram que não. Na realidade, ela é muito precoce”, explica José
Xavier Neto, pesquisador do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio),
que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais
(CNPEM), em Campinas (SP).
No entanto, o pesquisador Murilo Carvalho
afirma que isso não significa que exista um período seguro de exposição.
“Isso não quer dizer que nós estamos dizendo que existe uma janela
segura de que as grávidas poderiam ser expor ao zika”, complementa.
Ainda segundo os pesquisadores do LNBio, o estudo rastreou o caminho que
o vírus da zika percorre no organismo dos seres humanos, com a ajuda do
trabalho feito em camundongos saudáveis.
Eles receberam a mesma
quantidade de vírus que o Aedes aegypti pode transmitir ao picar o
homem. Isso não havia sido feito ainda pelos cientistas. Os
pesquisadores destacam neste mapeamento a hidrocefalia, que consiste no
acúmulo de líquido no cérebro e pode até matar as células do sistema
nervoso, além de reduzir o tamanho do cérebro. A hidrocefalia, segundo
pesquisas anteriores, precede a microcefalia.

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