Dizia a finada Lei de Imprensa que toda noticia deveria ser honesta e
verdadeira, valores que o Código de Ética dos jornalistas ainda
conserva. O Congresso revogou a lei, deixando o vazio em seu lugar. Esse
é o problema. Porque além dos vícios da informação, não raro eivada de
desonestidade e de mentira, existe outro pecado capital em nossa
atividade. Trata-se da não-informação. Da omissão de notícias que
deveriam ser, além de honestas e verdadeiras, apresentadas à opinião
pública, mas não são.
Tome-se as pesquisas eleitorais. Discute-se a sua realização, isto é, se
devem acontecer, em especial às vésperas das eleições quando poderão
influenciar o eleitor menos esclarecido. Admitidas, porém, como um
aprimoramento democrático, sendo honestas e verdadeiras, o que dizer de
sua omissão, de acordo com os interesses dos proprietários dos meios de
comunicação?
Em condições normais de temperatura e de pressão, em especial em épocas
de crise, as pesquisas eleitorais costumam ser valorizadas na confecção
das edições impressas, televisadas e eletrônicas. Balizam as atenções e
até reforçam as tendências.
É de estranhar, assim, as omissões deliberadas das consultas populares
realizadas nos últimos meses. Alguns veículos ainda apresentam, diluídos
e condenados a páginas internas, meras referências aos resultados. A
maioria, no entanto, as ignora olimpicamente, quando ainda recentemente
ganhavam as primeiras páginas.

0 comments :
Postar um comentário