As médicas que trabalham nas escolas de medicina públicas dos Estados
Unidos ganham cerca de US$ 20 mil a menos que os homens por ano, revelou
um estudo divulgado esta segunda-feira (11).
As conclusões, publicadas
na revista científica "Journal of the American Medical Association
(JAMA) Internal Medicine", foram baseadas em dados salariais de médicos
acadêmicos em 24 escolas médicas públicas em 12 estados. No total, foram
analisados os salários de mais de 10 mil médicos.
Cerca de um terço dos
participantes do estudo eram mulheres, "uma proporção comparável à
observada em outras escolas de medicina dos Estados Unidos não incluídas
no estudo", afirma o artigo. Em números brutos, sem levar em conta
fatores como idade e experiência, as mulheres ganharam US$ 206.641 por
ano, em comparação com US$ 257.957 dos homens - uma diferença de mais de
US$ 51 mil. Uma análise mais detalhada revelou que a classificação da
faculdade, idade, anos desde a residência, especialidade, participação
em ensaios clínicos e ter tido pesquisas publicadas foram fatores
responsáveis por parte dessa diferença salarial.
Mas após incluir essas variáveis nos cálculos, as mulheres ainda
ganharam, em média, US$ 19.878 a menos que os homens por ano, segundo o
estudo. "Nosso uso de dados publicamente disponíveis sobre salários de
empregados do estado destaca a importância da transparência nos salários
médicos para os esforços de redução da brecha entre os rendimentos de
homens e mulheres", afirma o estudo, liderado por Anupam Jena, médico na
Faculdade de Medicina de Harvard.
As maiores diferenças foram vistas entre os cirurgiões de especialidade, com as mulheres no topo da escala da sua profissão tendo ganhado tanto quanto os homens na metade dessa escala. "Os salários das professoras catedráticas do sexo feminino (US$ 250.971) foram comparáveis aos dos professores associados do sexo masculino (US$ 247.212)", diz o estudo.
As mulheres tendiam a ser mais jovens do que
os homens, e mais mulheres se especializaram em medicina interna,
pediatria, obstetrícia e ginecologia. "As mulheres também tinham menos
publicações no total, eram menos propensas a receber financiamento dos
Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e menos propensas a ter conduzido um
ensaio clínico", afirma o estudo.
Um editorial que acompanha o artigo
na revista pediu "coragem e liderança de mulheres médicas acadêmicas
(...) para lutar pela eliminação" das diferenças salariais. "A correção
das diferenças salariais entre médicos do sexo masculino e feminino na
medicina acadêmica exige mais do que apenas estudos que mostram que elas
existem; são necessários esforços conjuntos para compreender e eliminar
a brecha", escreveu Vineet Arora, médica da Universidade de Chicago.

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