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Casa do Baile, criada por Niemeyer, é um dos ícones da arquitetura de BH

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Do G1 MG – Hoje Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e do Design, a Casa do Baile, próxima parada do nosso passeio pelo Conjunto Arquitetônico da Pampulha, iniciado nesta segunda-feira (11), foi criada na década de 40 para divertir os moradores de Belo Horizonte com shows e jantares dançantes. Projetado por Oscar Niemeyer, o grande salão circular foi idealizado para dar mais espaço aos “pés-de-valsa”. Um dos mais famosos frequentadores era o próprio Juscelino Kubitscheck, então prefeito da cidade, conhecido por sua afeição à vida boêmia.

A Casa do Baile, localizada em uma ilha artificial e ligada à orla por uma ponte de concreto, foi inaugurada em 1943. Na época, o local era ponto de encontro da alta sociedade já que os preços cobrados no local estavam longe de serem populares. O público que jogava no Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha (MAP), atravessava o lago de barco para encerrar à noite na Casa do Baile. Sob as marquises, que acompanham o contorno da ilha artificial, costumavam-se colocar mesas para que os visitantes aproveitassem a vista da lagoa. “A ideia de Niemeyer era que a partir de qualquer prédio do conjunto fosse possível enxergar todos os outros, dando uma visão completa de sua obra”, disse o historiador e diretor do Arquivo Público de Belo Horizonte, Yuri Mesquita.


Mesmo com todo luxo, a Casa do Baile teve que encerrar suas atividades cinco anos após a inauguração. Com a proibição dos jogos de azar pelo governo federal em 1946, o Cassino foi fechado e, por causa disso, o número de frequentadores dispostos a dançar diminuiu. “Houve um período de decadência enfrentado pela Casa do Baile. Ela teve várias funções diferentes. Nos anos 80 se tornou anexo do Museu de Arte da Pampulha, nos anos 90 chegou a ser restaurante e depois foi fechada. Em 2002, ganhou uma nova ressignificação se tornando Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e do Design”, explicou Mesquita.

Para que o Conjunto Arquitetônico da Pampulha receba o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, a Casa do Baile vai ter que passar por intervenções, segundo recomendação do Icomos, entidade da Unesco que avalia a candidatura. Uma delas é a demolição de uma guarita que, no projeto original de Niemeyer, dará lugar a um totem. “A Casa do Baile já passou por um processo de restauração da marquise. Os jardins de Burle Marx já foram restaurados e o piso interno já foi reformado. Agora nós vamos ter que demolir a guarita, que foi aprovada por Niemeyer em 200, período em que o local se preparava para virar centro de referência. O Icomos determinou o retorno das feições originais”, explicou a diretora do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, que faz parte da Fundação Municipal de Cultura (FMC), a arquiteta Luciana Rocha Feres.

Segundo ela, o plano de intervenção foi encaminhado para Unesco e as obras têm três anos para serem concluídas. Hoje, o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e do Design guarda informações relativas à identidade dos prédios, estruturas e projetos de Belo Horizonte.
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