No final, para a grande noite no Teatro
Nacional Habima, só restaram 12 candidatas. Entre as rivais, Aylin Ben
Zaken Cohen, judia de uma família ultraortodoxa de Jerusalém, e Carolin
Khoury, uma árabe muçulmana que recentemente relatou à agência Reuters
como pôde escapar de sua casa com a ajuda da polícia, já que sofria
maus-tratos por sua condição de transexual.
Coroada pela chilena Vanessa López –
ganhadora do certame internacional do ano passado na Espanha–, Tailin
Abu Hanna leva como prêmio um pacote de cirurgia estética na Clínica
Kamol, da Tailândia, avaliado em 13.500 euros (54.000 reais). A
árabe-cristã representará Israel no concurso Trans Star Internacional,
marcado para 17 de setembro em Barcelona.
Violência familiar, rejeição social ou
serem obrigadas a comprar hormônios no mercado negro são algumas das
dificuldades que atravessam muitas das participantes no concurso de
beleza, segundo destaca a organizadora do concurso, Israela Stephanie
Lev. “Mas antes era ainda mais terrível”, ressalta. Tel Aviv é
mundialmente conhecida por ser um dos destinos favoritos do coletivo
Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) por sua tolerância. É
considerada por esse grupo como “cidade amiga” e por isso recebe pessoas
LGBT procedentes de todo o país, sem importar a origem étnica ou a
religião.
Comparado a seus vizinhos, Israel é uma
ilha de tolerância no Oriente Médio, onde homossexuais e transexuais são
perseguidos. Em 1998 foi o primeiro país a triunfar no Eurovision com
uma representante transexual, Dana International, que se tornou um ícone
do coletivo LGBT. No ano passado foi a estrela da festa com que o
conservador primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recebeu a
imprensa estrangeira em um hotel de Jerusalém. No concurso de beleza que coroou Tailin
Abu Hanna e que dá a largada às celebrações do orgulho gay em Israel, a
pergunta de destaque às participantes foi: onde estava quando Dana
International ganhou?
Mas o Estado judaico não está livre dos
ataques intolerantes. Pelo contrário, cristãos, muçulmanos e judeus
conservadores religiosos rejeitam com intransigência o que consideram
“condutas desviadas”. As agressões contra associações e locais de
ambiente LGBT tiveram seu auge no ano passado em Jerusalém com o
assassinato de Shira Banki, de 16 anos. A adolescente foi apunhalada por
um extremista ultraortodoxo judeu quando participava da parada do
orgulho gay na Cidade Santa. As contramanifestações dos
ultraortodoxos no dia do orgulho gay transformam o bairro religioso de
Meah Shearim, em Jerusalém, em um fervedouro no qual os ardorosos
devotos judeus condenam os homossexuais e equiparam Tel Aviv às bíblicas
Sodoma e Gomorra.
Para os muçulmanos, o tema simplesmente é
tabu. Não há debate social e só existe no âmbito familiar. Sair do
armário pode chegar a custar a vida. De tal forma que para algumas das
aspirantes do concurso, como a árabe Caroline Khoury, escolher o caminho
da transexualidade representou o rompimento com todo seu mundo
anterior. Renascer olhando para o futuro em um lugar onde, pelo menos,
os LGBTs possam mostrar-se e ser aceitos tal como são.

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