Diário de Biologia - Você está sentado no
parque, respirando ao ar livre e viajando através de pensamentos, até
que sente aquele incômodo no nariz. Então é hora de fingir ser uma
criança novamente. Você levanta o dedo indicador, enfia em uma das
narinas e começa a cutucar até encontrar a fonte do incômodo. E você
acha. Agora existem duas opções: limpar ou comer.
Se você optou por comer, é obvio que as pessoas ao seu redor não vão te
olhar com bons olhos – e algumas podem até vomitar. Se pensou que limpar
o dedo (ou nem enfiar ele no nariz, para início de conversa) seria a
melhor solução, você com certeza já deve ter conhecido alguém que fazia
do nariz um verdadeiro buffet. Mas será que isso é tão ruim assim? O que
será que realmente acontece quando alguém come meleca de nariz?
Primeiramente, você precisa entender que essas “caquinhas” são feitas do
muco que reveste as narinas juntamente com os pelos minúsculos
conhecidos como vibrissas – que ajudam a filtrar o ar inspirado,
protegendo os pulmões de objetos estranhos como germes, poeira, sujeira e
pólen. Na maioria das vezes essas “armadilhas” funcionam muito bem,
interrompendo os invasores na hora e encapsulando-os junto ao muco que
em breve será removido do nariz. Porém, às vezes esse muco se torna
gelatinoso ou duro, formando o que é coloquialmente chamado de caca (ou
meleca) de nariz.
A ideia de comer as próprias melecas pode não parecer muito higiênica ou
atraente. Muitas vezes o excesso dessa “garimpada” pode causar
sangramentos. No entanto, há uma hipótese emergente que defende que a
ingestão das melecas pode fazer bem para a saúde.
De acordo com Scott
Napper, um professor de bioquímica na Universidade de Saskatchewan, no
Canadá, as cacas na verdade são pequenos pacotes embalados com
informações biológicas. Quando consumidas, podem ajudar a preparar
melhor o corpo para a guerra contra os germes. Cada meleca contém
patógenos específicos do meio ambiente em que a pessoa vive. Portanto,
comê-las poderia informar o sistema imunológico sobre os perigos que ele
pode vir a enfrentar e ajudá-lo a construir suas defesas. Em suma, você
pode pensar no hábito de comer caca de nariz como uma estratégia de
guerra.
O professor pretende testar a ideia e está reunindo voluntários para que
ele possa plantar uma molécula em seus narizes e dar início ao
experimento. Serão dispostos dois grupos, um que irá comer meleca e o
outro que não. Em seguida, para cada grupo, Napper irá comparar as
repostas de imunidade contra a molécula. Se sua hipótese estiver
correta, os participantes que comerem as cacas terão uma resposta
imunológica muito maior.
No entanto, a teoria de Napper já despertou a atenção de alguns céticos,
como o Dr. William Schaffner, da Universidade Vanderbilt, em Nashville,
que não acredita no benefício causado pelo hábito de engolir secreções
nasais, especialmente quando dormimos, alegando que é muito improvável
que elas ofereçam alguma resistência ao sistema.
Apesar de não ter sido capaz de reunir um número alto de voluntários
para começar a pesquisa, Napper afirma que nossa predisposição de
comê-las pode estar relacionada ao fato de elas terem um sabor
adocicado. Aliás, o professor acredita que esse seria um tema muito
interessante para tratar em uma aula de Ciências da primeira série.

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