Por Josias de Souza – Dilma
Rousseff e Michel Temer viveram na noite passada experiências
antagônicas. Recolhida ao Palácio da Alvorada, a presidente assistiu,
pela televisão, à sessão extraordinária em que o STF sepultou as ações
do governo contra a votação do impeachment. “Se houver falta de votos,
não há intervenção judicial que salve”, ironizou o ministro Gilmar
Mendes a certa altura. Os votos que escasseiam no cesto de Dilma
cercavam o vice-presidente da República numa mansão no Lago Sul, bairro
chique da Capital. Algo como 80 deputados apertavam a mão, abraçavam,
trocavam um dedo de prosa com Temer. Muitos o chamavam de “presidente”.
Usufruíram de um coquetel seguido de jantar. Tudo oferecido pelo
deputado Heráclito Fortes (PSB-PI). Respirava-se no local doce
fragrância da perspectiva de poder.
Pelo
celular, a internet levava à mansão da filha de Heráclito, onde Temer se
servia de risoto e vinho, as mesmas informações que a TV despejava
sobre o tapete do Alvorada. O STF indeferiu um par de pedidos de
liminares contra a ordem escolhida por Eduardo Cunha para que os
deputados pronunciem seus votos no microfone. Depois de circular de
rodinha em rodinha, Temer acomodou-se numa das mesas. Dividiu-a com
outras dez pessoas. Entre elas líderes de partidos engajados no
impeachment. Nesse universo, as horas mais preciosas são as mais
rápidas. Na contabilidade dos rivais de Dilma, já existem 363 votos a
favor do impeachment, 21 além do mínimo necessário. Daí a incômoda
sensação de que, para a oposição, certos dias, como os dois que faltam
para o domingo da votação, têm 100 anos de duração.

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