O Globo —
Enquanto cerca de 20 mil pessoas estão bloqueadas na fronteira entre a
Síria e a Turquia nesta sexta-feira, o secretário de Estado americano,
John Kerry, acusou a Rússia de bombardear mulheres e crianças em larga
escala na Síria. A multidão, que foge da escalada da violência com o
avanço das forças de Bashar al-Assad apoiadas por Putin, se concentra na
província de Aleppo e não tem permissão para deixar o país.
Em meio à
aglomeração em Aleppo, homens carregam bagagens sobre as cabeças,
enquanto idosos são levados em cadeiras de rodas. Há mulheres sentadas
na beira da estrada com seus bebês na esperança de serem autorizadas a
entrarem na Turquia. Autoridades turcas, no entanto, afirmam que o país
já deu início a ações para garantir abrigo e alimentos aos refugiados.
A
estimativa é que até 20 mil pessoas estejam concentradas na fronteira de
Bal al Salama, enquanto outras 5 mil a 10 mil foram levadas à cidade
vizinha de Azaz — declarou a porta-voz do Escritório das Nações Unidas
para Coordenação de Assistência Humanitária (OCHA), Linda Tom, à
imprensa local.
'CADA VEZ MAIS DIFÍCIL'
A representante da
entidade ainda disse que o conflito militar está tornando a vida da
população cada vez mais difícil, apesar dos esforços humanitários que
chegam à região. Na última semana, as tensões cresceram em Aleppo com a
ofensiva militar da Russia, que realizou ataques aéreos no local, e com o
avanço do exército sírio sobre o território.Durante os últimos dois dias, tropas de Assad e seus aliados libaneses e iranianos cercaram totalmente a zona rural de Aleppo, eliminando a principal rota para chegada de suprimentos pela Turquia. Organizações humanitárias atuantes no local temem que a principal cidade da província síria logo mais seja completamente sitiada pelas forças do governo.
Os conflitos na Síria já mataram 250 mil pessoas e fizeram 11 milhões de pessoas deixarem suas casas, na fuga da violência e da condições de vida precárias, durante os últimos cinco anos. Desde 2014, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) proclamou um califado no Leste da Síria e no Iraque, sob os ataques aéreos de uma coalizão internacional pelos EUA. Nos últimos quatro meses, a Russia deu início à sua própria série de operações aéreas sobre o território sírio em apoio ao seu governo aliado de Bashar al-Assad.

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