Daniel Mattucci, de Sorocaba, mantém acervo há 40 anos.
G1- A paixão pelo rádio motiva o colecionador Daniel Mattuci, de 72 anos, a
manter o acervo de 110 aparelhos raros e originais, reunidos em 40 anos
de pesquisa e pechincha. De acordo com o aposentado de Sorocaba (SP), o
Dia Mundial do Rádio, comemorado neste sábado (13), traz recordações da
época em que a família e vizinhos se reuniam na sala para acompanhar a
programação na “caixa mágica”.
O fascínio começou aos 9 anos ao se deparar com o aparelho comprado
pelos pais, na sala de casa. “A gente conhecia o telefone e o telégrafo,
mas aquela caixinha parecia que tinha ‘homenzinhos’ falando dentro.
Aquilo me impressionou tanto que desejei ter o meu”, conta.
Ele conta que a coleção começou com o aparelho da família – conservado
até hoje – em meio às outras raridades barganhadas. “Ele não é o melhor,
mas ainda funciona e tem o maior valor sentimental”.
Aparelho comprado pelos pais é guardado até hoje
(Foto: Carlos Dias/G1)
(Foto: Carlos Dias/G1)
Daniel afirma que a coleção já atingiu 300 exemplares, mas doou parte e guardou apenas os “especiais”. Os que restaram, conservados de forma impecável, são mantidos com aparatos originais comprados pelo aposentado que prepara a mala e busca pessoalmente peças em outros países. “Isso tudo faz um bem danado. Em vez ficar reclamando de dor, conheço o mundo e, ao mesmo tempo, mantenho o meu hobby”, explica o ex-delegado que garante ter carimbado mais de 20 países no passaporte, sendo Argentina, Chile, Uruguai, Espanha e França em busca de aparelhos.
Mas, nem todas as histórias de negócios são de sucesso. Segundo o
colecionador, ele quase ganhou “vassourada” em uma das ocasiões. “Um
borracheiro me indicou um cara que tinha aparelhos para vender e fui
atrás. Cheguei na casa, bati palmas e enquanto conversava com ele no
portão sobre três aparelhos, a esposa dele apareceu com uma vassoura na
mão e gritava para eu sair de lá”, lembra. Nada feito. Porém, ele
lamenta a morte da mulher logo depois e o descarte dos rádios para o
lixo. “Se tivesse vendido ou doado, estariam na coleção e as próximas
gerações poderiam conhecer o passado”.
Colecionador acumula fotos de lugares que
visitou também pelo rádio (Foto: Carlos Dias/G1)
visitou também pelo rádio (Foto: Carlos Dias/G1)
Legado
Todos os aparelhos foram reunidos e estão enfileirados na estante da casa do aposentado. “Nunca tentaram comprar a coleção inteira, mas já ofereceram R$ 15 mil em um único aparelho [um francês de 1926]. Se pensar bem, eu posso trocar em um carro, mas é algo que gosto e não dependo disso para viver”, afirma.
Atualmente, satisfeito com o patrimônio, o aposentado tenta despertar a estima pelo acervo nos familiares. “Infelizmente não tenho sucessor para continuar o trabalho, mas minha esperança são meus netos e, aos poucos, tento passar a bola para eles”. Diz o colecionador que, simultaneamente, teme que o esforço acabe empoeirado e esquecido. “Depois de tanto esforço, não pretendo me desfazer. Mas tenho medo de que toda essa história se acabe em algum porão”, finaliza o colecionador.
Daniel mantém fonógrado impecável (Foto: Carlos Dias/G1)
Colecionador mantém aparelhos conservados em uma sala (Foto: Carlos Dias/G1)

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