RIO – Wesley Safadão está há mais de uma hora em seu camarim, prestes a se apresentar em João Pessoa, recebendo fãs, patrocinadores, imprensa e políticos locais. Há uma longa fila do lado de fora para entrar. Dentro do espaço, uma área foi reservada só para fotos, mas quem acompanha a cena percebe que nem todos ali querem somente isso dele.
Uma admiradora pede que o cantor mande um recado para a sua mãe doente. “Ô, Dona Luci, melhoras para a senhora, espero que fique boa logo!”, diz ele, com o celular da moça em punho, enquanto grava um “vídeo-selfie”. Outro fã, que parece ser um cantor em início de carreira, pede que Wesley cante um trechinho de uma música ao seu lado. “Tô namorando todo mundo/ 99% anjo, perfeito/ Mas aquele 1% é vagabundo”, entoa, com o celular do rapaz nas mãos, em outro vídeo-selfie. As gravações fazem com que o cantor passe mais tempo atendendo as pessoas. Se fossem só fotos, seria bem mais rápido.
Sua paciência, no entanto, parece não ter limite o assédio não acaba durante o show que virá a seguir — e que vai durar duas horas, acompanhado com o maior entusiasmo por 46 mil pessoas até 1h da manhã. O palco é quase uma extensão do camarim: há quem entregue ou jogue o celular da plateia para o cantor, que muitas vezes retribui o gesto pegando o aparelho, virando-se para fazer uma selfie com a pessoa lá embaixo e devolvendo o telefone em mãos.
FORRÓ COM SERTANEJO, AXÉ E FUNK
O forrozeiro tem uma maneira bem peculiar de se relacionar com os fãs, seja no camarim, nos palcos, na rua e até mesmo na internet. Vive conectado e, durante os shows, gosta de mandar recados como: “Você aí que bloqueou seu ex no WhatsApp, desbloqueia agora. Manda uma foto sua aqui e escreve assim: hoje tem #vaisafadão.’’
Ivete um dia deixou de ser a cantora de axé para virar uma das maiores da MPB. Wesley Safadão parece fazer um caminho parecido, deixando de ser apenas forró para virar ícone pop — explica Guilherme Figueiredo, diretor de marketing da Som Livre, gravadora do cantor.
O Globo

0 comments :
Postar um comentário