Foto: Secom/ Ba
Se a mancha de lama que foi observada na região do Arquipélago de
Abrolhos for mesmo a resultante do rompimento da barragem de minérios da
Samarco, o impacto sobre a biodiversidade que vive ali pode ser
catastrófico. Essa é a avaliação de cientistas que trabalham no local. O
alerta de que a pluma de resíduos poderia ter atingido uma das áreas de
maior diversidade de corais do Atlântico Sul foi feito anteontem pelo
Ibama, com base em imagens de satélite e observações aéreas. Neste
sábado (9), o secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia, Eugênio
Spengler, também sobrevoou o local e disse que o arquipélago em si "está
sem mancha aparentemente", mas que no mar mais próximo da costa a água
está bastante turva e, ao norte de Abrolhos, em direção a Porto Seguro,
foram vistas manchas escuras. Spengler não descartou que a lama da
Samarco possa ter chegado ali. "É temerário dizer que é, mas também é
temerário dizer que não é", afirmou ao Estado.
Ele encomendou análises
de amostras do material paralelas às que também estão sendo feitas pela
Samarco, por determinação do Ibama. Mas o secretário disse que, ao menos
para a área mais próxima da costa, o motivo da turbidez pode ser as
chuvas que caíram na região nos últimos dias, que poderiam ter levado
mais sedimentos para o mar. Para o pesquisador Ronaldo Francini-Filho,
da Universidade Federal da Paraíba, que há 15 anos monitora espécies de
peixes e de corais de Abrolhos e tem acompanhado a movimentação da pluma
de rejeitos de minério, se for confirmada a suspeita, pode acontecer
uma mortandade em massa dos corais.
O maior risco é que a lama cause um
sombreamento na área. Em outros pontos por onde os rejeitos avançaram
desde Minas Gerais, pelo Rio Doce, até desaguar no mar, observou-se que a
luz não passa de 10 centímetros de profundidade. "Sem luz, os corais
morrem por não fazer fotossíntese", afirma. Para o biólogo também há o
risco, dependendo da densidade da pluma, de os sedimentos cobrirem os
corais. "Se isso acontecer, fica mais difícil a recuperação, porque
inibe o recrutamento de novos corais". Ele concorda, porém, que, por
enquanto, é difícil ter certeza de que se trata da lama, visto que as
chuvas recentes deixaram as águas da região mais turvas. Segundo
Francini-Filho, a região do arquipélago é de altíssima sedimentação e
costuma ter maior turbidez em situações de frentes frias, tempestades e
muito vento. Portanto, diz, há uma possibilidade de se tratar de
sedimentação natural.
Por Giovana Girardi | Estadão Conteúdo

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