O dólar comercial abriu em queda nesta quarta-feira, 23, mas inverteu o
sinal ainda no início das negociações, pressionado pela retomada da
cautela com o cenário fiscal e político no País. Às 10h10, a moeda subia 1,09% e era negociada a R$
4,09, na máxima do dia. Na véspera, a moeda fechou a R$ 4,05, a maior
cotação desde a criação do Plano Real, em 1994.
O Congresso não analisou ainda o veto ao reajuste de até 78%
dos salários do Judiciário, que pode ter impacto de R$ 36,2 bilhões nas
contas públicas até 2019. A sessão foi interrompida por falta de quórum e
não há prazo definido para a retomada dessa votação.
De todo modo, o recuo, a princípio, respondeu à manutenção da
maioria dos vetos presidenciais pelo Congresso, em sessão que durou
cinco horas e terminou na madrugada de hoje. Foram mantidos 26 dos 32
vetos presidenciais a medidas com forte impacto nas contas públicas. O
mercado aproveitou a boa notícia para realizar lucros, após o dólar ter
fechado ontem a R$ 4,05 no mercado à vista - maior patamar desde a
criação do Plano Real há 21 anos. Os ganhos estavam acumulados em 11,03%
no mês e em 40,03% em 2015.
Também influencia os negócios locais o enfraquecimento do
dólar frente o euro e algumas divisas de países emergentes e
exportadores de commodities no exterior, como o peso chileno e o peso
mexicano.
Dados fracos do setor de manufatura da China em setembro
apoiam especulações no exterior sobre a possibilidade de o Federal
Reserve (Fed, o banco central dos EUA) adiar o aumento dos juros básicos
para 201. Isso ajuda a enfraquecer a moeda americana lá fora. Na semana
passada, o Fed decidiu manter os juros inalterados, em meio às
incertezas causadas pela desaceleração chinesa, e nos últimos dias
vários dirigentes regionais da instituições vinham se manifestando em
defesa do início da alta ainda neste ano, dando suporte ao dólar e aos
juros dos Treasuries.
Fonte: Estado


0 comments :
Postar um comentário