Seis dias após ter sido solto por uma decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF), o ex-deputado estadual José Riva (PSD), que responde a
mais de 100 processos e que já foi considerado pela Justiça o maior
ficha-suja do país, foi preso novamente nesta quarta-feira (1º), em
Cuiabá. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), Riva foi
detido em uma nova operação deflagrada pelo Grupo de Atuação e Combate
ao Crime Organizado (Gaeco).
O ex-parlamentar que ocupou cargo na Assembleia por mais de 20 anos é
acusado de desviar mais de R$ 60 milhões dos cofres da instituição. O G1 tentou, mas não conseguiu entrar em contato com os advogados de Riva até a publicação desta reportagem.
Além do mandado de prisão, o Gaeco cumpre mandado de busca e apreensão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso
(ALMT). Agentes chegaram ao prédio localizado no Centro Político
Administrativo no início da manhã de hoje. No entanto, a assessoria do
MPE não informou quais documentos foram apreendidos.
José Riva ficou quatro meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC)
após a Operação Imperador, também realizada pelo Gaeco. No ano passado,
ele já havia sido preso em outra operação, a Ararath, da Polícia
Federal, que apura suspeita de desvio de recursos públicos por meio de
lavagem de dinheiro por meio de factorings de fachada. À época, ele foi
solto três dias depois.
Na denúncia, o MPE aponta que, como primeiro-secretário da ALMT, José
Riva teria liderado um esquema de licitações fraudulentas que
direcionavam contratos para empresas que depois não entregavam as
mercadorias. As empresas, afirma o MPE, eram de fachada. No entanto, ele
nega todas as acusações.
José Riva e a mulher, Janete Riva, que também é ré no processo que apura desvio de recursos da ALMT. (Foto: Renê Dióz / G1)
Na semana passada, antes da libertação de José Riva, a juíza Selma
Rosane dos Santos de Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou
que ele passasse a usar tornozeleira eletrônica, como medida alternativa
à prisão.
O ex-deputado também foi proibido de deixar a comarca sem autorização. A
juíza ainda mandou que a Polícia Federal fosse comunicada sobre a
decisão para que José Riva não tentasse retirar novo passaporte, bem
como que as embaixadas de países do Mercosul nos quais não é preciso
apresentar passaporte fossem avisadas sobre a proibição da expedição do
documento.
O ex-parlamentar responde a mais de 100 ações cíveis e criminais e já
teve quatro condenações colegiadas por crime de improbidade
administrativa. Ele também foi probido, na semana passada, de ir à
Assembleia Legislativa e às sedes de empresas que estariam envolvidas no
esquema, cujos donos são corréus da ação.
Ele também não poderá manter contato com nenhum dos acusados e
testemunhas do processo - exceto a mulher dele, Janete Riva, que,
segundo o MPE, ocupou o cargo de secretaria de Finanças da Assembleia e
também é ré no processo. Além deles, outras 13 pessoas, entre
empresários e servidores públicos, são acusados de participação no
esquema.
Indeferido
Na eleição passada, Riva tentou concorrer a governador de Mato Grossso,
mas teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Janete então assumiu o lugar do seu marido e lançou candidatura.
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