Um laboratório canadense que testou um tratamento popular para diabetes
acabou encontrando semelhança com um novo tratamento de câncer
surpreendente. O problema foi que eles descobriram isso tarde demais, de acordo com os
Estados Unidos, causando um rancor que persiste até hoje.
Na década de 1950, a pervinca de Madagascar, um tipo de vinca (gênero de
ervas lenhosas da família das apocináceas), era um remédio comum
popular dado a pessoas com diabetes, podendo controlar o açúcar no
sangue.
Diabetes é uma doença grave, e os cientistas canadenses Robert Noble e
Charles Beer, decidiram descobrir se a planta realmente tinha resultado.
Eles testaram o extrato da planta em ratos e concluíram que o remédio
popular era um mito. Ele não teve efeito sobre o açúcar no sangue, mas a
dupla ficou surpresa ao descobrir que as células brancas do sangue dos
ratos morreram quando foram expostas a esse extrato de vinca.
E isso não era tudo. O extrato interrompeu a divisão das células,
tirando os microtúbulos com fibras fusiformes que movem os cromossomos
até onde eles precisam estar. Diferentes extratos poderiam interromper
diferentes processos, matando as células envolvidas. Um extrato se
mostrou especialmente bom em matar células, criando novos vasos
sanguíneos.
As plantas de vinca são assassinas celulares porque contêm alcaloides
específicos. Alcaloides possuem uma grande variedade de compostos, todos
ricos em azoto e de ocorrência natural. Você provavelmente já ouviu
falar de alguns, como cafeína, nicotina, cocaína e quinino. Embora
nenhuma pessoa saudável iria querer ingerir alcaloides, que matam seus
glóbulos brancos ou interrompem a formação de novos vasos sanguíneos,
uma pessoa com leucemia poderia ser beneficiada, tirando suas células
brancas do sangue. Uma pessoa com um tumor gostaria de interromper o
crescimento de vasos sanguíneos.
Noble e Beer desenvolveram uma droga, a vinblastina, ainda usada para
tratar determinados tipos de câncer. Porém, outros dois americanos
haviam desenvolvido o mesmo medicamento, usando exatamente a mesma
planta. Gordon Svoboda, da Eli Lilly, desenvolveu uma droga de combate
ao câncer, usando vinca, após um teste à procura de efeitos
antitumorais. Ao saber da descoberta canadense, a confusão começou.
Desde então, nenhum país parece estar pronto para desistir da
reivindicação de serem os pioneiros na descoberta da droga. (Até a
Grã-Bretanha tem uma reivindicação, já que Charles Beer foi trabalhar no
Canadá, mas era um cientista britânico). O Canadá, oficialmente,
reconheceu Noble como o descobridor da droga. A maioria das fontes
neutras afirmam que as duas equipes descobriram a droga quase
simultaneamente e que foram descobertas de forma independente. No
entanto, a maioria das fontes tendem a mencionar Noble e Beer em
primeiro lugar.
A vimblastina é usada para tratar o câncer, com ação citotóxica e
antineoplásica. É administrada em casos de câncer no testículo, pulmão,
cabeça, pescoço, sarcoma de Kaposi, micose fungóide (linfoma de células
T), coriocarcinoma e linfoma não-Hodgkin.
Fonte: Io9

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