Os ex-deputados do PP recebiam uma espécie de mesada do doleiro porque o
partido havia indicado Paulo Roberto Costa para a diretoria de
Abastecimento da Petrobras. A propina correspondia a 1% do valor dos
contratos fechados por essa diretoria, de acordo com Youssef.
No total, foram 30 indiciamentos por suspeitas de crimes como lavagem de
dinheiro, corrupção passiva e ativa, fraude à licitação e integrar
organização criminosa.
Youssef foi indiciado cinco vezes; André Vargas e Pedro Corrêa, três vezes cada um.
Indiciamento é a figura que a autoridade policial recorre quando acredita ter elementos que apontam para a prática de um crime.
Todos os ex-parlamentares estão presos desde 10 de abril. Como eles não
foram eleitos, o Supremo enviou as suspeitas que havia contra eles para o
juiz Sergio Moro, que decretou a prisão.
O empresário Leonardo Meirelles, sócio do laboratório Labogen, também
foi indiciado por fraude à licitação junto com o ex-ministro Leoni Ramos
e André Vargas.
A PF considerou que a parceria que a Labogen conseguiu com o Ministério
da Saúde para produzir o princípio de um remédio que era importado, um
negócio que renderia R$ 31 milhões ao laboratório, foi uma fraude à lei
das licitações.
Escutas e interceptações de mensagens feitas com autorização judicial apontam que a parceria foi obtida com a ajuda de Vargas.
O Ministério da Saúde rompeu a parceria logo após as investigações da
Operação Lava Jato terem mostrado que o doleiro e o ex-deputado estavam
por trás do negócio.
Também foram indiciados a mulher de André Vargas e o filho e a nora do
ex-deputado Pedro Corrêa. Eles são acusados de terem servido de laranja
para os ex-parlamentares.
O publicitário Ricardo Hoffmann, que foi dirigente da agência Borghi
Lowe em Brasília até dezembro do ano passado, também foi indiciado.
Produtoras de comerciais que eram contratadas pela agência repassaram
pelo menos R$ 3,17 milhões para empresas controladas por Vargas, ainda
segundo a PF. A agência atende o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica
Federal.
Há suspeitas de que os pagamentos a Vargas eram uma recompensa à ajuda
que o ex-deputado deu a Hoffmann para conseguir os dois contratos.
O publicitário negocia um acordo de delação premiada com procuradores e delegados da Lava Jato.
DN Online

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