O século XXI iniciou com uma primeira década como de bom desempenho
econômico. A taxa média de incremento da economia foi de 4,11%. No ano
de 2010 o PIB cresceu 7,6%, como não crescia desde os anos de 1970,
quando a taxa média de elevação do PIB esteve por volta de 10% anuais.
Fundamental para conseguir altas taxas, tais como acima de 7%, a
poupança doméstica deveria situar-se por volta de 20%. Como o Brasil
sempre obteve suplementação da poupança interna com a poupança externa,
nos referidos anos de 1970, a poupança global estava por volta de 25% do
PIB.
Portanto, o desejável é que a poupança fosse alta, para que o
investimento seja elevado e o PIB seja sustentável para o bem estar.
Depois de uma década de bom crescimento, pensava-se que o Brasil iria
ter crescimento sustentável nesta segunda década. Entretanto, o que tem
ocorrido é a queda ano a ano da poupança doméstica, de 2010 para 2014,
de 19,2%, para 19%, 16,1%, 15,4% e 15%, respectivamente. A poupança
deveria transferir-se para investimentos brutos de capital.
Não é isso que tem ocorrido. Devido à progressiva elevação da carga
tributária, os investidores tem se retraído, conforme mostram os
indicadores de confiança das classes empresariais. Não sem motivo, o PIB
caiu de 2011 para 2014, de 3,9%, para 1,8%, 2,7%, 0,1%. Em todos estes
quatro anos referidos, as contas nacionais pioraram, ao ponto do déficit
global do balanço de transações correntes ser superior a 4%, a dívida
bruta ter subido de 53% para 63%, assim como em 2014 ter havido déficit
primário, depois de 18 anos. Em consequência as agências de risco têm
visitado o País, para ver quais as providências que estão sendo tomadas.
A Standard & Poor’s, a maior delas, manteve a
nota atual, mas aguardando a aprovação do ajuste fiscal, proposto no
início do ano por Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Ontem, no Congresso
superlotado, por sete horas, ele defendeu a citada aprovação, afirmando
que há risco de perder o grau de investimento. Já há projeções de
recessão de – 2% do PIB. Outros, afirmam que há o risco do caos. O
momento é sério e o ajuste fiscal deverá ser feito.
A esperança quase unânime é de reverter-se a taxa de poupança
declinante. A saída, não tem jeito, na forma em que se dirige
ortodoxamente a economia, cuida basicamente do curto prazo, começando
com o ajuste fiscal, gerando superávit primário, no combate à inflação e
no câmbio flutuante. Na verdade, no restabelecimento do tripé
construído por FHC e mantido por Lula. Dilma o desconstruiu e agora terá
a tarefa de restaurá-lo. Uma tarefa bem mais difícil.
Enfim, o castelo de cartas das empreiteiras do escândalo da operação
lava-Jato começou a ruir. É preciso estancar o processo de sangramento
do sistema Petrobras, que é o maior investidor no País e fará o PIB
recuar expressivamente por longo tempo. Uma das maiores empreiteiras, a
OAS, ingressou ontem na Justiça de São Paulo, com processo de
recuperação judicial (antigo nome da concordata) de nove de suas
empresas, para principalmente venda de ativos e composição de dívidas no
valor de R$8 bilhões, de um endividamento de R$9,2 bilhões. Se for
aceito, será um dos maiores ser feito no País.
O grupo OAS realiza 80 obras de infraestrutura no Brasil e no Exterior.
Fundada em 1976, ela tem 110 mil funcionários. Outra grande empreiteira,
a Queiroz Galvão, também requereu recuperação judicial, para negociar
montante de pelo menos R$22 bilhões. Ao todo, são 22 grandes
construtoras envolvidas. Comenta-se que o PIB da Construção Civil
recuará cerca de 5% este ano. As notícias ruins não param de ocorrer.

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