Ninguém merece jogar futebol profissional às 11h de um domingo de verão.
O desgaste dos atletas é maior, a presença do público é menor e a
desvalorização do espetáculo como um todo é notória. Mas o governo de São Paulo e a FPF (Federação Paulista de Futebol) não
dão a mínima para isso. Por isso atiraram Palmeiras e XV de Piracicaba
nesse horário inglório.
A desculpa é esfarrapada: a Polícia Militar com mais homens no Brasil é
incapaz de lidar ao mesmo tempo com um jogo de futebol de potencial
mediano na zona oeste e manifestações no centro contra a presidente
Dilma Rousseff, para a qual irão sabe-se lá quantas pessoas. Marcar
jogos matutinos, salvo engano, nunca serviu para poupar a PM de
trabalho.
Nos anos 90 esse horário foi usado raras vezes para tentar levar mais
famílias aos estádios. A iniciativa fracassou. No começo dos anos 2000
houve também outras partidas nessa faixa. Mas os jogadores reclamaram
porque seu desempenho piorava por falta de costume e excesso de calor.
Obviamente a opinião deles pouco importou aos nossos cartolas.
Vale lembrar, sem lidar com o mérito dos protestos, que a decisão da FPF
amplia o fosso entre o Palácio do Planalto e a CBF de Marco Polo del
Nero, aquele que também controla a federação paulista. Na Copa do Mundo a
presidente já evitava ser fotografada ao lado de dirigentes como ele.
Agora, a rusga é ainda maior. Neste domingo, o azar é do Palmeiras.


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