Delegado
Graciliano Lordão, de Canguaretama, é alvo de investigação. Com medo de morrer,
PM e agente da Civil gravaram áudios pedindo ajuda.
O
delegado da Polícia Civil Graciliano Lordão, atualmente titular da DP de
Canguaretama, distante cerca de 70 quilômetros de Natal, está sendo investigado
pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte sob a suspeita de ter recebido
dinheiro, em dezembro do ano passado, para soltar um traficante de drogas preso
no bairro de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. O policial militar e o agente
de Polícia Civil que fizeram a denúncia ao MP à época dizem que agora estão
sendo ameaçados de morte. Em contato com o jornal, o delegado nega as denúncias.
Na
noite desta terça-feira (28), o soldado Denis Fernandes de Brito Lima, lotado
no 5º Batalhão da PM, e o agente Gustavo gravaram e enviaram para grupos de
WhatsApp áudios nos quais pedem socorro, dizem estar marcados para morrer e
afirmam ter tomado conhecimento de que o delegado teria contratado pistoleiros
da cidade de Mombaça, no estado do Ceará, para matá-los (Clique ouça as gravações).
“Sobre
a denúncia da extorsão tudo isso é um mal entendido e não procede. Na verdade
não posso dar detalhes neste momento porque se trata de uma investigação muito
grande. Em relação a essa história de que teria contratado pistoleiros pra
executar policiais é uma grande mentira, mas na hora exata toda a verdade vai
aparecer”, limitou-se a dizer o delegado Graciliano Lordão em entrevista ao jornal.
Escolta
Ainda
na noite desta terça, o comandante geral da PM, coronel Francisco Araújo Silva,
enviou um grupo de escolta com quatro policiais do Batalhão de Choque para a
residência do soldado, onde permaneceram de guarda durante toda a noite e
madrugada. "Vamos manter a escolta ao PM e aguardar um posicionamento do
Ministério Público", disse o comandante. Segundo ele, o soldado tem 41
anos, está na PM há 10 anos e tem uma conduta ilibada.
Já
na manhã desta quarta, o soldado esteve na sede da Secretaria de Segurança
Pública e Defesa Social (Sesed). Ele chegou ao local escoltado e usando colete
a prova de balas. O titular da Sesed, general Elieser Girão Monteiro orientou o
soldado a procurar o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado
(Gaeco) do Ministério Público. "Existe uma investigação no MP sobre esse
caso e será dada a resposta que a sociedade espera", disse o secretário.
O
delegado geral de polícia civil, Adson Kepler, disse estranhar a denúncia de
ameaças sofridas pelo soldado e pelo agente e não entender o que chamou de
"pandemônio nas redes sociais" acerca do caso. "Tudo isso atrapalha
a investigação que está em curso. Vamos agora investigar a veracidade dessa
ameaça. Se houve ameça, os envolvidos serão punidos e se houve calúnia, também
haverá punição", disse.
Extorsão
O
soldado Denis conta que em meados de 2013 prendeu um suspeito de tráfico de
drogas em Ponta Negra e o encaminhou para a 15ª Delegacia de Polícia no mesmo
bairro. De acordo com o soldado, em uma busca realizada na casa do suspeito
foram encontrados R$ 20 mil em dinheiro. Segundo ele, o delegado Graciliano
Lordão não autuou o suspeito e dias depois, mais uma vez, o soldado se deparou
com o suspeito solto quando o próprio disse que teria pago ao delegado para ser
solto.
O
soldado relatou a situação para o comando da Polícia Militar e o caso foi
encaminhado para o Ministério Público que instaurou inquérito para apurar as
denúncias.
Lordão
Graciliano
Lordão tem 47 anos. Vinte e seis deles, dedicados à Polícia Civil. Nasceu em
Santa Rita, na Paraíba, mas mora há 11 anos no RN. No estado, tem passagem
pelas delegacias de Furtos e Roubos, em Natal, 1ª DP de Parnamirim, e 15ª DP de
Ponta Negra, também na capital potiguar.
Delegado
Graciliano Lordão nega as denúncias feitas pelos policiais (Foto: Ney
Douglas/Novo Jornal)
G1 RN

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