Jovens que não estudam e nem trabalham passaram a ser
intitulados como “Geração Nem Nem”. O tema, debatido na novela da Rede
Globo, “Geração Brasil, é discutido há anos pelos governos estaduais de
todo o país, que tentam reduzir o número de jovens que se encaixam nesse
perfil. N
a chamada “Geração Nem Nem”, aqueles que deveriam ser o
“futuro” do país, seguem suas vidas como um barco sem direção sem
nenhuma perspectiva, ou seja, nada de trabalhar nem estudar. No Nordeste
25% dos jovens estão neste perfil.
A média nordestina ultrapassa a média geral do país, que
é de 19%, segundo dados da Secretaria do Trabalho Emprego e Renda do
Estado da Bahia (SETRE). A região do Sul o índice é 13% e o Sudeste 17%.
A secretaria, no entanto, dispõe de dados referentes a 2009, e são
contabilizadas pessoas na faixa etária de 14 a 29 anos.
Conforme a última pesquisa divulgada da Universidade
Estadual do Rio de Janeiro, um em cada cinco brasileiros entre 18 e 25
anos não trabalha nem estuda. Na parcela da população com renda per
capita de até R$ 77,75, a geração “Nem Nem” chega a 46,2%.
Conforme o secretário de Trabalho, Emprego, Renda e
Esporte da Bahia (SETRE), Nilton Vasconcelos, há uma constante
preocupação do estado em adotar políticas para reduzir os índices. “O
governo investe na formação de profissionais, foram 74 mil vagas de
ensino profissionalizante, mais de 18 unidades novas de cursos
preparatórios. Além disso, temos os programas voltados aos jovens, como o
Pronatec, Trilha, Pro-Jovem Trabalhador”, explica.
Ele ressalta ainda que os estudos apontam que os jovens
devem se qualificar antes de entrar no mercado de trabalho, no entanto,
isso depende da renda familiar e da situação financeira do indivíduo.
“Vivemos um período de grande geração de emprego. Até
2013 foram mais de 20 milhões de empregos formais. Porém ainda não foi
suficiente para atender a demanda. Mas a solução para o “Nem Nem” não é
só o trabalho e sim a composição do estudo e trabalho”, ressaltou
Vasconcelos.
Márcia Ferraz tem 24 anos, terminou o Ensino Médio com
18 anos e atualmente não trabalha. “Faço alguns bicos. Comecei a
trabalhar, mas acabei saindo e agora estou pensando no que quero
estudar. Por enquanto está tranquilo porque meus pais me sustentam, mas
vai chegar um momento que precisarei me sustentar sozinha”, afirma.
A jovem diz que não vê problema em se enquadrar no
perfil da Geração Nem Nem. “Minha vida é normal, rotina tranquila, saio,
me divirto, depois penso no que fazer profissionalmente”, diz. Ela
afirma que hoje em dia existe muita possibilidade de estudos financiados
pelo governo, ou programas como o Prouni, mas não se inscreveu em
nenhum desses.
A psicóloga Jackeline Kruschewshy, disse que um dos
fatores que levam os jovens a se enquadrarem neste perfil é a falta de
expectativa. “A falta de um projeto de vida em razão de um contexto
social sem coerência com a manutenção da vida, não viabilizando um
percurso que possibilite os jovens a construir um futuro viável para
suas vidas.
Quem ganha dinheiro hoje no nosso país? Quem ganha um papel
de destaque na mídia? O que uma pessoa deve fazer para ter sucesso?. Ao
tentarmos responder essas perguntas percebemos que nem sempre as pessoas
que mais estudam, que mais se dedicam ao trabalho e que são honestos em
suas atividades serão mais reconhecidas”, disse.
Ela enfatiza, no entanto, que a melhor solução para evitar essa situação seria orientação profissional nas escolas com a finalidade de causar desejo nestes jovens que não sabem o que querem e se acomodam diante da vida.
“O problema poderia ser resolvido com escolas mais
atrativas, professores mais preparados e projetos socioeducativos que
visem valorizar os estudos como o caminho para uma vida melhor. As
pessoas precisam se dar conta de que o caminho é o estudo”, afirma.
Para o titular da SETRE, é necessário ampliar as
políticas de inserção no ambiente de trabalho e acadêmico. “É
imprescindível o reforço dessas políticas que ampliam a educação. O
jovem precisa priorizar o estudo e o estado continuar qualificando-os
para o mercado de trabalho, que a cada dia requer profissionais mais
preparados e crescer a economia para gerar mais oportunidade”, concluiu
Nilton Vasconcelos.
Fonte: AQUI.

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