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Projeto de Lei propõe dobrar tempo de suspensão da CNH para quem dirigir alcoolizado

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode endurecer significativamente as punições para motoristas flagrados dirigindo sob influência de álcool. O PL 3.207/2026, de autoria do deputado Ilacir Bicalho (Republicanos-MG), prevê que o período de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) salte de 12 para 24 meses, além de dobrar o valor da multa aplicada aos infratores. A proposta ainda aguarda despacho da Presidência da Câmara para iniciar sua análise formal, mas já chama atenção pelo rigor das medidas sugeridas.

Pela legislação vigente, a infração de dirigir sob efeito de álcool é considerada gravíssima e resulta em multa de R$ 2.934,70 (equivalente a dez vezes o valor da infração gravíssima) e suspensão do direito de dirigir por um ano. O projeto em questão altera o artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para elevar essa multa para vinte vezes o valor da infração gravíssima, o que representaria um impacto financeiro consideravelmente maior para o condutor autuado.

Além do aumento da penalidade financeira e do tempo de suspensão, a proposta também mira os reincidentes. Segundo o texto, caso haja cassação da CNH por reincidência na infração de dirigir alcoolizado, o motorista só poderá solicitar uma nova habilitação após quatro anos, prazo superior ao atualmente estabelecido. O deputado autor da matéria justifica a medida afirmando que quem volta a cometer a mesma infração após punição demonstra maior desrespeito às normas de trânsito e merece “maior censura jurídica”.

Na justificativa do projeto, Ilacir Bicalho destaca que, apesar dos avanços obtidos com a Lei Seca e com os mecanismos de fiscalização existentes, os registros de motoristas flagrados nessa condição indicam que as sanções atuais não têm sido suficientes para coibir a prática. Ele classifica dirigir sob influência de álcool como comportamento de “extrema reprovabilidade social”, pois coloca em risco não apenas a vida do motorista, mas também de passageiros, pedestres e demais usuários das vias.

O parlamentar reforça que o objetivo da proposta não é arrecadatório, mas sim ampliar o efeito educativo e preventivo da legislação de trânsito. Para ele, a combinação entre fiscalização efetiva e penalidades mais severas constitui instrumento relevante para reduzir a condução de veículos sob efeito de álcool e desencorajar comportamentos que elevam o risco de acidentes graves. O projeto segue agora aguardando os próximos passos em sua tramitação legislativa.

É importante lembrar que, paralelamente a essa proposta, outras iniciativas também buscam endurecer as punições no trânsito. Recentemente, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara aprovou parecer favorável a um projeto que prevê suspensão da CNH por até 10 anos e multa de 50 vezes o valor da infração gravíssima para motoristas alcoolizados que causarem morte. Enquanto essas matérias não se tornam lei, as regras atuais continuam valendo: multa de R$ 2.934,70, suspensão da CNH por 12 meses e retenção do veículo até que outro condutor habilitado assuma a direção.
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